Valor do Usufruto em Função da Idade: O Que Precisa Saber Antes de Vender ou Comprar um Imóvel com Usufruto

Valor do Usufruto em Função da Idade: O Que Precisa Saber Antes de Vender ou Comprar um Imóvel com Usufruto

Se está a lidar com um imóvel com usufruto, há um erro que pode custar dezenas de milhares de euros — e acontece com mais frequência do que imagina.

Na maioria dos casos, esse erro não está na decisão em si, mas na forma como o valor do usufruto é calculado. Um cálculo baseado em valores errados, como o VPT, ou numa leitura simplificada das tabelas por idade, pode distorcer completamente uma venda, uma partilha ou uma doação.

Na prática, ao longo de mais de 20 anos na RE/MAX Cidadela, vemos repetidamente proprietários e herdeiros a tomar decisões com base em números que não refletem o mercado real — o que leva a perdas financeiras, conflitos familiares e oportunidades mal aproveitadas.

Neste guia, vai perceber não só como calcular o valor do usufruto, mas sobretudo quando esse valor altera completamente uma decisão — e como evitar erros que podem custar milhares de euros.

Resumo rápido

  • O usufruto tem impacto direto no valor real de venda de um imóvel
  • Quanto mais jovem o usufrutuário, maior o valor económico do usufruto
  • O cálculo base é simples — mas raramente reflete o valor de mercado final
  • Usar o VPT em vez do valor de mercado é um dos erros mais caros
  • Em muitos casos, o impacto real pode significar perdas de 20% a 40%

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Quanto pode realmente perder com um cálculo errado do usufruto?

Um erro no cálculo do usufruto não é apenas um detalhe técnico — pode ter um impacto financeiro muito significativo no resultado final de uma venda ou partilha.

Na prática, o que vemos frequentemente no mercado é o seguinte: proprietários que utilizam o valor patrimonial tributário (VPT) ou aplicam coeficientes de idade de forma isolada acabam por chegar a um valor teórico que não corresponde à realidade de mercado. Quando o imóvel é colocado à venda, surgem propostas substancialmente abaixo do esperado — e é aí que surge a surpresa.

Imagine este cenário:

Um imóvel com valor de mercado de 400.000€
Usufrutuário com 65 anos
Coeficiente indicativo: 0,35

- Valor teórico do usufruto: 140.000€
- Valor teórico da nua-propriedade: 260.000€

À primeira vista, tudo parece claro.

Mas no mercado real, o comprador não olha apenas para o cálculo. Avalia também:

  • o tempo incerto até poder utilizar o imóvel
  • a dificuldade de financiamento bancário
  • a menor liquidez deste tipo de ativos

Como resultado, é comum surgirem propostas na ordem dos 220.000€ a 240.000€ — ou até menos, dependendo do contexto.

Isto representa uma diferença real que pode ultrapassar os 20% a 40% face ao valor esperado pelo proprietário.

E este é o ponto crítico:
não é o cálculo que está “errado” — é a interpretação desse cálculo fora do contexto de mercado.

Antes de tomar qualquer decisão, é essencial cruzar o valor teórico com uma avaliação realista do comportamento do mercado. Só assim é possível evitar perdas significativas e tomar decisões informadas.

 

O que é o usufruto e porque tem valor real

O usufruto é um direito real que permite a uma pessoa utilizar um bem e beneficiar dele, sem ser o seu proprietário pleno. Na prática, isso significa que o usufrutuário pode viver no imóvel ou arrendá-lo e receber rendas, enquanto o nu-proprietário mantém apenas a titularidade.

De acordo com o artigo 1439.º do Código Civil português, o usufruto corresponde precisamente a este direito de uso e fruição de um bem alheio. Este enquadramento legal é fundamental porque explica por que motivo o usufruto tem valor económico: ele limita diretamente o uso do imóvel por terceiros.

E é essa limitação que cria impacto no mercado.

Quando existe usufruto, o imóvel deixa de ser um ativo “livre”. Passa a ser um ativo condicionado — e isso afeta o preço, a liquidez e até o acesso a financiamento bancário.

 

Como calcular o valor do usufruto (e onde a maioria erra)

Apesar de não existir uma fórmula legal única, na prática — seja em partilhas, doações ou vendas — é muito comum recorrer a tabelas orientadoras baseadas na idade do usufrutuário. Estas tabelas são utilizadas por peritos avaliadores, notários e pela Autoridade Tributária como referência técnica.

O princípio é simples: quanto mais jovem for o usufrutuário, maior o valor económico do seu direito.

Tabela de Coeficientes Indicativos de Usufruto

Idade do Usufrutuário

Coeficiente Indicativo

Menos de 20 anos

0,80

Menos de 25 anos

0,75

Menos de 30 anos

0,70

Menos de 35 anos

0,65

Menos de 40 anos

0,60

Menos de 45 anos

0,55

Menos de 50 anos

0,50

Menos de 55 anos

0,45

Menos de 60 anos

0,40

Menos de 65 anos

0,35

Menos de 70 anos

0,30

Menos de 75 anos

0,25

Menos de 80 anos

0,20

Menos de 85 anos

0,15

85 anos ou mais

0,10

Nota: estes valores são indicativos e devem ser ajustados ao contexto real de mercado.

Fórmula de cálculo

Valor do usufruto = Valor de mercado do imóvel × Coeficiente da idade

Exemplos

Se um imóvel vale 300.000€ e o usufrutuário tem 44 anos, o valor estimado do usufruto será 165.000€.
Isto significa que mais de metade do valor económico do imóvel está associado ao usufruto.

Se o usufrutuário tiver 82 anos, o valor será cerca de 45.000€, o que reduz significativamente o impacto no valor global do imóvel.

Este valor não é apenas teórico — é o ponto de partida para decisões que podem afetar diretamente o preço de venda, partilhas e impostos.

 

Os erros mais caros na gestão de um imóvel com usufruto

Um dos erros mais frequentes é utilizar o valor patrimonial tributário (VPT) como base de cálculo. Embora seja útil para efeitos fiscais, o VPT raramente reflete o valor real de mercado, o que pode levar a decisões completamente desalinhadas com a realidade.

Outro erro comum é aplicar os coeficientes de idade de forma mecânica, sem considerar o contexto do imóvel. Um apartamento com alta procura pode ter um comportamento completamente diferente de uma moradia com baixa liquidez, mesmo com o mesmo coeficiente.

Também é habitual ignorar o impacto da liquidez. Um imóvel com usufruto demora, em média, mais tempo a vender — e isso tem um custo indireto que deve ser considerado na decisão.

Finalmente, muitos proprietários não integram o impacto fiscal na análise. Dependendo do cenário — venda, doação ou herança — o valor do usufruto pode alterar significativamente os impostos a pagar.

 

Posso vender um imóvel sem o acordo do usufrutuário?

A resposta curta é: não, na prática não pode vender o imóvel livremente sem respeitar o usufruto.

O que pode vender é a nua-propriedade — ou seja, a titularidade do imóvel sem o direito de uso. O comprador terá de aceitar que não pode utilizar o imóvel até que o usufruto termine.

Isto reduz o número de compradores, dificulta o financiamento bancário e obriga, na maioria dos casos, a aceitar um desconto adicional para concretizar a venda.

Resultado: o valor de mercado da nua-propriedade é quase sempre inferior ao valor teórico.

 

Usufruto em contextos reais: onde o cálculo muda decisões

Venda

Quando vende um imóvel com usufruto, está a vender um ativo condicionado — e isso tem impacto direto no preço final.

Imagine um imóvel com valor de mercado de 450.000€, com um usufrutuário de 68 anos. Aplicando um coeficiente indicativo de 0,30, o valor teórico da nua-propriedade seria cerca de 315.000€.

No entanto, no mercado real, esse valor pode descer para valores entre 270.000€ e 300.000€, dependendo da liquidez, localização e facilidade de financiamento.

 Isto significa que o desconto aplicado pode ir além do cálculo teórico — refletindo o risco percebido pelo comprador.

Herança

Em partilhas, o valor do usufruto é essencial para garantir equilíbrio entre herdeiros. Um cálculo errado pode gerar conflitos que se prolongam durante anos.

Numa herança em que um imóvel vale 500.000€ e o cônjuge sobrevivo mantém o usufruto com 70 anos, o valor desse direito pode rondar 150.000€. Isto significa que os restantes herdeiros estão, na prática, a dividir um valor efetivo inferior, o que pode gerar desequilíbrios na partilha se não for corretamente considerado.

Doação

Ao doar um imóvel com reserva de usufruto, o imposto incide apenas sobre a nua-propriedade — o que pode ser vantajoso no curto prazo, mas com implicações futuras.

Divórcio

Em processos de divórcio, o usufruto pode ser utilizado como forma de compensação entre os cônjuges — especialmente quando um deles permanece a viver no imóvel.

Por exemplo, num imóvel avaliado em 400.000€, se um dos cônjuges mantiver o usufruto com 55 anos, o valor desse direito pode rondar os 180.000€ (coeficiente de 0,45).

 Isto significa que o outro cônjuge, ao abdicar do usufruto, poderá ter direito a uma compensação financeira equivalente — o que torna essencial um cálculo rigoroso para garantir equilíbrio na partilha.

 

Usufruto e IRS: quem paga imposto sobre as rendas?

Se o imóvel com usufruto for arrendado, é o usufrutuário — e não o nu-proprietário — que tem de declarar as rendas em sede de IRS.

Na maioria dos casos, esses rendimentos são tributados na Categoria F, com uma taxa autónoma de 28%, salvo opção pelo englobamento.

Isto significa que:

 Se um imóvel gerar 1.000€ por mês em rendas, o usufrutuário poderá pagar cerca de 280€ de imposto mensal (antes de deduções).

Este detalhe é muitas vezes ignorado, mas pode ter um impacto relevante na rentabilidade do imóvel — especialmente em decisões de arrendamento ou partilha.

 

Caso real: venda de nua-propriedade em Carcavelos

Num caso recente acompanhado pela RE/MAX Cidadela, uma proprietária de 74 anos decidiu doar o imóvel à filha, mantendo o usufruto.

O imóvel tinha um valor de mercado de cerca de 500.000€. Aplicando o coeficiente indicativo, o usufruto representava aproximadamente 25% do valor.

No entanto, quando a filha considerou vender a nua-propriedade, o mercado respondeu com propostas significativamente abaixo do esperado — refletindo não apenas o cálculo teórico, mas a dificuldade de utilização e financiamento.

A decisão final foi adiar a venda.

 Este caso mostra um ponto crítico:
o valor teórico é apenas o início — o mercado é que define o resultado final.

 

O que acontece quando o usufruto termina

Nos termos do artigo 1476.º do Código Civil, o usufruto extingue-se, na maioria dos casos, com a morte do usufrutuário.

Quando isso acontece, dá-se a chamada consolidação da propriedade: o nu-proprietário passa a deter a propriedade plena, sem necessidade de nova escritura.

Este momento pode ter impacto fiscal e estratégico — especialmente se houver intenção de venda.

 

Perguntas Frequentes sobre Usufruto

O que é o usufruto e como funciona?

O usufruto é um direito que permite a uma pessoa usar ou arrendar um imóvel sem ser o seu proprietário pleno. O usufrutuário pode viver na casa ou receber rendas, enquanto o nu-proprietário mantém a titularidade.

Como calcular o valor do usufruto por idade?

O valor do usufruto calcula-se normalmente multiplicando o valor de mercado do imóvel por um coeficiente associado à idade do usufrutuário. Quanto mais jovem for, maior será o valor do usufruto.

Posso vender um imóvel com usufruto?

Sim, mas apenas a nua-propriedade. O comprador terá de respeitar o usufruto até ao seu término, o que normalmente reduz o valor de mercado do imóvel.

Posso vender sem o acordo do usufrutuário?

Não pode vender o imóvel livremente. Pode apenas vender a nua-propriedade, mantendo-se o usufruto em vigor.

O banco financia imóveis com usufruto?

Na maioria dos casos, não. Os bancos tendem a evitar financiar a compra de nua-propriedade devido à limitação da garantia.

Quem paga as obras no imóvel?

Regra geral, o usufrutuário paga a manutenção corrente. Já as obras estruturais podem ser responsabilidade do nu-proprietário.

O usufrutuário pode arrendar o imóvel?

Sim. O usufrutuário tem direito a arrendar o imóvel e a receber as rendas como rendimento próprio.

Qual a diferença entre usufruto e direito de habitação?

O usufruto permite usar e rentabilizar o imóvel. O direito de habitação apenas permite residir, sem possibilidade de arrendamento.

Posso renunciar ao usufruto?

Sim, o usufrutuário pode renunciar, mas essa decisão pode ter implicações fiscais e deve ser analisada caso a caso.

O usufruto termina automaticamente?

Sim. Normalmente termina com a morte do usufrutuário, passando o imóvel a ser propriedade plena do nu-proprietário.

O usufruto tem impacto nos impostos?

Sim. Pode afetar IMT, imposto do selo e IRS, dependendo da operação (venda, doação ou herança).

Usufruto vitalício é diferente de temporário?

Sim. O usufruto vitalício termina com a morte do usufrutuário, enquanto o temporário termina após um prazo definido.

 

Conclusão

O usufruto não é apenas um conceito jurídico — é um fator que pode alterar profundamente o valor e a estratégia associada a um imóvel.

Compreender o seu impacto não é opcional. É o que separa uma decisão bem tomada de um erro que pode custar dezenas de milhares de euros.

👉A maioria dos proprietários com usufruto toma decisões com base em valores errados — e só percebe quando já é tarde.
Não deixe que isso lhe aconteça.

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RE/MAX Cidadela 

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👤 Sobre o Autor:

 Pedro Pettermann

Broker da RE/MAX Cidadela em Cascais, com mais de 20 anos de experiência no mercado imobiliário da Linha de Cascais, Lisboa, Oeiras e Sintra. Licenciado em Gestão e MBA pelo IE Business School, alia visão estratégica a um profundo conhecimento local. Reconhecido como especialista em mercado imobiliário, crédito habitação e marketing digital, ajuda proprietários e compradores a tomar decisões seguras e rentáveis.

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