RE/MAX CIDADELA
Última atualização: 2026-04-28
Se está a lidar com um imóvel com usufruto, há um erro que pode custar dezenas de milhares de euros — e acontece com mais frequência do que imagina.
Na maioria dos casos, esse erro não está na decisão em si, mas na forma como o valor do usufruto é calculado. Um cálculo baseado em valores errados, como o VPT, ou numa leitura simplificada das tabelas por idade, pode distorcer completamente uma venda, uma partilha ou uma doação.
Na prática, ao longo de mais de 20 anos na RE/MAX Cidadela, vemos repetidamente proprietários e herdeiros a tomar decisões com base em números que não refletem o mercado real — o que leva a perdas financeiras, conflitos familiares e oportunidades mal aproveitadas.
Neste guia, vai perceber não só como calcular o valor do usufruto, mas sobretudo quando esse valor altera completamente uma decisão — e como evitar erros que podem custar milhares de euros.
Resumo rápido
Antes de tomar qualquer decisão, descubra quanto vale realmente o seu imóvel com usufruto no mercado atual.
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Quanto pode realmente perder com um cálculo errado do usufruto?
Um erro no cálculo do usufruto não é apenas um detalhe técnico — pode ter um impacto financeiro muito significativo no resultado final de uma venda ou partilha.
Na prática, o que vemos frequentemente no mercado é o seguinte: proprietários que utilizam o valor patrimonial tributário (VPT) ou aplicam coeficientes de idade de forma isolada acabam por chegar a um valor teórico que não corresponde à realidade de mercado. Quando o imóvel é colocado à venda, surgem propostas substancialmente abaixo do esperado — e é aí que surge a surpresa.
Imagine este cenário:
Um imóvel com valor de mercado de 400.000€
Usufrutuário com 65 anos
Coeficiente indicativo: 0,35
- Valor teórico do usufruto: 140.000€
- Valor teórico da nua-propriedade: 260.000€
À primeira vista, tudo parece claro.
Mas no mercado real, o comprador não olha apenas para o cálculo. Avalia também:
Como resultado, é comum surgirem propostas na ordem dos 220.000€ a 240.000€ — ou até menos, dependendo do contexto.
Isto representa uma diferença real que pode ultrapassar os 20% a 40% face ao valor esperado pelo proprietário.
E este é o ponto crítico:
não é o cálculo que está “errado” — é a interpretação desse cálculo fora do contexto de mercado.
Antes de tomar qualquer decisão, é essencial cruzar o valor teórico com uma avaliação realista do comportamento do mercado. Só assim é possível evitar perdas significativas e tomar decisões informadas.
O que é o usufruto e porque tem valor real
O usufruto é um direito real que permite a uma pessoa utilizar um bem e beneficiar dele, sem ser o seu proprietário pleno. Na prática, isso significa que o usufrutuário pode viver no imóvel ou arrendá-lo e receber rendas, enquanto o nu-proprietário mantém apenas a titularidade.
De acordo com o artigo 1439.º do Código Civil português, o usufruto corresponde precisamente a este direito de uso e fruição de um bem alheio. Este enquadramento legal é fundamental porque explica por que motivo o usufruto tem valor económico: ele limita diretamente o uso do imóvel por terceiros.
E é essa limitação que cria impacto no mercado.
Quando existe usufruto, o imóvel deixa de ser um ativo “livre”. Passa a ser um ativo condicionado — e isso afeta o preço, a liquidez e até o acesso a financiamento bancário.
Como calcular o valor do usufruto (e onde a maioria erra)
Apesar de não existir uma fórmula legal única, na prática — seja em partilhas, doações ou vendas — é muito comum recorrer a tabelas orientadoras baseadas na idade do usufrutuário. Estas tabelas são utilizadas por peritos avaliadores, notários e pela Autoridade Tributária como referência técnica.
O princípio é simples: quanto mais jovem for o usufrutuário, maior o valor económico do seu direito.
Tabela de Coeficientes Indicativos de Usufruto
|
Idade do Usufrutuário |
Coeficiente Indicativo |
|
Menos de 20 anos |
0,80 |
|
Menos de 25 anos |
0,75 |
|
Menos de 30 anos |
0,70 |
|
Menos de 35 anos |
0,65 |
|
Menos de 40 anos |
0,60 |
|
Menos de 45 anos |
0,55 |
|
Menos de 50 anos |
0,50 |
|
Menos de 55 anos |
0,45 |
|
Menos de 60 anos |
0,40 |
|
Menos de 65 anos |
0,35 |
|
Menos de 70 anos |
0,30 |
|
Menos de 75 anos |
0,25 |
|
Menos de 80 anos |
0,20 |
|
Menos de 85 anos |
0,15 |
|
85 anos ou mais |
0,10 |
Nota: estes valores são indicativos e devem ser ajustados ao contexto real de mercado.
Fórmula de cálculo
Valor do usufruto = Valor de mercado do imóvel × Coeficiente da idade
Exemplos
Se um imóvel vale 300.000€ e o usufrutuário tem 44 anos, o valor estimado do usufruto será 165.000€.
Isto significa que mais de metade do valor económico do imóvel está associado ao usufruto.
Se o usufrutuário tiver 82 anos, o valor será cerca de 45.000€, o que reduz significativamente o impacto no valor global do imóvel.
Este valor não é apenas teórico — é o ponto de partida para decisões que podem afetar diretamente o preço de venda, partilhas e impostos.
Os erros mais caros na gestão de um imóvel com usufruto
Um dos erros mais frequentes é utilizar o valor patrimonial tributário (VPT) como base de cálculo. Embora seja útil para efeitos fiscais, o VPT raramente reflete o valor real de mercado, o que pode levar a decisões completamente desalinhadas com a realidade.
Outro erro comum é aplicar os coeficientes de idade de forma mecânica, sem considerar o contexto do imóvel. Um apartamento com alta procura pode ter um comportamento completamente diferente de uma moradia com baixa liquidez, mesmo com o mesmo coeficiente.
Também é habitual ignorar o impacto da liquidez. Um imóvel com usufruto demora, em média, mais tempo a vender — e isso tem um custo indireto que deve ser considerado na decisão.
Finalmente, muitos proprietários não integram o impacto fiscal na análise. Dependendo do cenário — venda, doação ou herança — o valor do usufruto pode alterar significativamente os impostos a pagar.
Posso vender um imóvel sem o acordo do usufrutuário?
A resposta curta é: não, na prática não pode vender o imóvel livremente sem respeitar o usufruto.
O que pode vender é a nua-propriedade — ou seja, a titularidade do imóvel sem o direito de uso. O comprador terá de aceitar que não pode utilizar o imóvel até que o usufruto termine.
Isto reduz o número de compradores, dificulta o financiamento bancário e obriga, na maioria dos casos, a aceitar um desconto adicional para concretizar a venda.
Resultado: o valor de mercado da nua-propriedade é quase sempre inferior ao valor teórico.
Usufruto em contextos reais: onde o cálculo muda decisões
Venda
Quando vende um imóvel com usufruto, está a vender um ativo condicionado — e isso tem impacto direto no preço final.
Imagine um imóvel com valor de mercado de 450.000€, com um usufrutuário de 68 anos. Aplicando um coeficiente indicativo de 0,30, o valor teórico da nua-propriedade seria cerca de 315.000€.
No entanto, no mercado real, esse valor pode descer para valores entre 270.000€ e 300.000€, dependendo da liquidez, localização e facilidade de financiamento.
Isto significa que o desconto aplicado pode ir além do cálculo teórico — refletindo o risco percebido pelo comprador.
Herança
Em partilhas, o valor do usufruto é essencial para garantir equilíbrio entre herdeiros. Um cálculo errado pode gerar conflitos que se prolongam durante anos.
Numa herança em que um imóvel vale 500.000€ e o cônjuge sobrevivo mantém o usufruto com 70 anos, o valor desse direito pode rondar 150.000€. Isto significa que os restantes herdeiros estão, na prática, a dividir um valor efetivo inferior, o que pode gerar desequilíbrios na partilha se não for corretamente considerado.
Doação
Ao doar um imóvel com reserva de usufruto, o imposto incide apenas sobre a nua-propriedade — o que pode ser vantajoso no curto prazo, mas com implicações futuras.
Divórcio
Em processos de divórcio, o usufruto pode ser utilizado como forma de compensação entre os cônjuges — especialmente quando um deles permanece a viver no imóvel.
Por exemplo, num imóvel avaliado em 400.000€, se um dos cônjuges mantiver o usufruto com 55 anos, o valor desse direito pode rondar os 180.000€ (coeficiente de 0,45).
Isto significa que o outro cônjuge, ao abdicar do usufruto, poderá ter direito a uma compensação financeira equivalente — o que torna essencial um cálculo rigoroso para garantir equilíbrio na partilha.
Usufruto e IRS: quem paga imposto sobre as rendas?
Se o imóvel com usufruto for arrendado, é o usufrutuário — e não o nu-proprietário — que tem de declarar as rendas em sede de IRS.
Na maioria dos casos, esses rendimentos são tributados na Categoria F, com uma taxa autónoma de 28%, salvo opção pelo englobamento.
Isto significa que:
Se um imóvel gerar 1.000€ por mês em rendas, o usufrutuário poderá pagar cerca de 280€ de imposto mensal (antes de deduções).
Este detalhe é muitas vezes ignorado, mas pode ter um impacto relevante na rentabilidade do imóvel — especialmente em decisões de arrendamento ou partilha.
Caso real: venda de nua-propriedade em Carcavelos
Num caso recente acompanhado pela RE/MAX Cidadela, uma proprietária de 74 anos decidiu doar o imóvel à filha, mantendo o usufruto.
O imóvel tinha um valor de mercado de cerca de 500.000€. Aplicando o coeficiente indicativo, o usufruto representava aproximadamente 25% do valor.
No entanto, quando a filha considerou vender a nua-propriedade, o mercado respondeu com propostas significativamente abaixo do esperado — refletindo não apenas o cálculo teórico, mas a dificuldade de utilização e financiamento.
A decisão final foi adiar a venda.
Este caso mostra um ponto crítico:
o valor teórico é apenas o início — o mercado é que define o resultado final.
O que acontece quando o usufruto termina
Nos termos do artigo 1476.º do Código Civil, o usufruto extingue-se, na maioria dos casos, com a morte do usufrutuário.
Quando isso acontece, dá-se a chamada consolidação da propriedade: o nu-proprietário passa a deter a propriedade plena, sem necessidade de nova escritura.
Este momento pode ter impacto fiscal e estratégico — especialmente se houver intenção de venda.
Perguntas Frequentes sobre Usufruto
O que é o usufruto e como funciona?
O usufruto é um direito que permite a uma pessoa usar ou arrendar um imóvel sem ser o seu proprietário pleno. O usufrutuário pode viver na casa ou receber rendas, enquanto o nu-proprietário mantém a titularidade.
Como calcular o valor do usufruto por idade?
O valor do usufruto calcula-se normalmente multiplicando o valor de mercado do imóvel por um coeficiente associado à idade do usufrutuário. Quanto mais jovem for, maior será o valor do usufruto.
Posso vender um imóvel com usufruto?
Sim, mas apenas a nua-propriedade. O comprador terá de respeitar o usufruto até ao seu término, o que normalmente reduz o valor de mercado do imóvel.
Posso vender sem o acordo do usufrutuário?
Não pode vender o imóvel livremente. Pode apenas vender a nua-propriedade, mantendo-se o usufruto em vigor.
O banco financia imóveis com usufruto?
Na maioria dos casos, não. Os bancos tendem a evitar financiar a compra de nua-propriedade devido à limitação da garantia.
Quem paga as obras no imóvel?
Regra geral, o usufrutuário paga a manutenção corrente. Já as obras estruturais podem ser responsabilidade do nu-proprietário.
O usufrutuário pode arrendar o imóvel?
Sim. O usufrutuário tem direito a arrendar o imóvel e a receber as rendas como rendimento próprio.
Qual a diferença entre usufruto e direito de habitação?
O usufruto permite usar e rentabilizar o imóvel. O direito de habitação apenas permite residir, sem possibilidade de arrendamento.
Posso renunciar ao usufruto?
Sim, o usufrutuário pode renunciar, mas essa decisão pode ter implicações fiscais e deve ser analisada caso a caso.
O usufruto termina automaticamente?
Sim. Normalmente termina com a morte do usufrutuário, passando o imóvel a ser propriedade plena do nu-proprietário.
O usufruto tem impacto nos impostos?
Sim. Pode afetar IMT, imposto do selo e IRS, dependendo da operação (venda, doação ou herança).
Usufruto vitalício é diferente de temporário?
Sim. O usufruto vitalício termina com a morte do usufrutuário, enquanto o temporário termina após um prazo definido.
Conclusão
O usufruto não é apenas um conceito jurídico — é um fator que pode alterar profundamente o valor e a estratégia associada a um imóvel.
Compreender o seu impacto não é opcional. É o que separa uma decisão bem tomada de um erro que pode custar dezenas de milhares de euros.
👉A maioria dos proprietários com usufruto toma decisões com base em valores errados — e só percebe quando já é tarde.
Não deixe que isso lhe aconteça.
Fale com a RE/MAX Cidadela e obtenha uma avaliação profissional ajustada ao mercado real.
Uma análise correta hoje pode fazer toda a diferença no valor que vai receber amanhã.
RE/MAX Cidadela
Avenida 25 de Abril nº 722, c-9, Cascais.
Tel.+351 967604141. E-Mail: ppettermann@remax.pt
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👤 Sobre o Autor:
Pedro Pettermann
Broker da RE/MAX Cidadela em Cascais, com mais de 20 anos de experiência no mercado imobiliário da Linha de Cascais, Lisboa, Oeiras e Sintra. Licenciado em Gestão e MBA pelo IE Business School, alia visão estratégica a um profundo conhecimento local. Reconhecido como especialista em mercado imobiliário, crédito habitação e marketing digital, ajuda proprietários e compradores a tomar decisões seguras e rentáveis.
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