A separação de um casal em união de facto pode levantar dúvidas importantes — especialmente quando existe uma casa em comum. Ao contrário do casamento, a união de facto não cria automaticamente um regime de comunhão de bens, o que significa que o destino do imóvel depende sobretudo de quem é o proprietário e das circunstâncias da aquisição.
Na prática, quando uma união de facto termina, a casa pode ficar com um dos membros do casal, ser vendida ou até ser atribuída temporariamente a quem tem a guarda dos filhos. Cada situação depende de fatores legais, financeiros e familiares.
Neste guia completo explicamos o que acontece à casa após a separação numa união de facto em Portugal, quais são os direitos de cada pessoa e quais as soluções mais comuns para resolver esta situação.
Este guia foi preparado pela equipa da RE/MAX Cidadela, agência imobiliária com mais de 20 anos de experiência no mercado da Linha de Cascais, Lisboa, Oeiras e Sintra, acompanhando frequentemente processos de venda de imóveis após separações, heranças e reorganizações familiares.
Resumo rápido:
Quando um casal em união de facto se separa, o destino da casa depende principalmente de quem é o proprietário registado e da forma como o imóvel foi adquirido.
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Situação |
O que acontece à casa |
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Casa em nome de apenas um |
Pertence legalmente a essa pessoa |
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Casa em nome de ambos |
Cada um possui uma quota do imóvel |
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Um pagou mais despesas |
Pode pedir compensação financeira |
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Existem filhos |
O tribunal pode atribuir uso da casa ao progenitor com guarda |
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Não há acordo |
O tribunal pode ordenar venda ou divisão |
Se estiver a passar por uma separação e precisa de vender a sua casa com segurança, pode também pedir uma avaliação gratuita do imóvel junto da equipa da RE/MAX Cidadela para compreender as opções disponíveis.
O que é uma união de facto em Portugal?
Em Portugal, considera-se união de facto quando duas pessoas vivem juntas em condições semelhantes às de um casamento durante mais de dois anos consecutivos, sem estarem casadas entre si nem com outras pessoas.
Este regime é regulado pela Lei n.º 7/2001, que reconhece alguns direitos ao casal, como:
No entanto, a união de facto não cria automaticamente um regime de bens como acontece no casamento.
Isso significa que, em caso de separação, cada bem pertence a quem é o seu proprietário legal, salvo acordo diferente entre as partes.
Quem fica com a casa numa união de facto?
A primeira questão a analisar é quem está registado como proprietário do imóvel no registo predial.
Existem duas situações principais.
Casa em nome de apenas um dos membros
Se o imóvel estiver registado apenas em nome de uma pessoa, essa pessoa é legalmente o proprietário da casa.
Mesmo que o casal tenha vivido junto durante vários anos, o outro membro da união de facto não adquire automaticamente direito de propriedade.
No entanto, podem existir exceções se o outro parceiro tiver contribuído financeiramente para o imóvel.
Casa em nome de ambos
Se a casa foi comprada em conjunto, cada membro do casal possui uma quota de propriedade, normalmente definida na escritura de compra.
Nesse caso, após a separação existem várias soluções possíveis:
Se a casa está em nome de um, o outro tem direitos?
Mesmo que a casa esteja apenas em nome de um dos parceiros, o outro pode tentar reclamar compensação financeira se provar que contribuiu para o imóvel.
Isso pode acontecer quando uma pessoa:
Para provar essas contribuições, normalmente são utilizados documentos como:
Importante:
essa compensação não dá automaticamente direito à casa, mas pode permitir recuperar parte do dinheiro investido.
O que acontece à casa quando há filhos?
Quando existem filhos menores, os tribunais dão prioridade ao interesse das crianças.
Por esse motivo, é relativamente comum que o tribunal atribua o direito de utilização da casa ao progenitor que fica com a guarda maioritária dos filhos.
Esta solução tem como objetivo:
No entanto, este direito é geralmente temporário e pode durar até que os filhos atinjam a maioridade ou até que a situação familiar mude.
Em alguns casos, o proprietário do imóvel pode receber uma compensação financeira pelo uso exclusivo da casa.
Precisa de ajuda prática? Descarregue o Guia Completo: Como vender a casa após a separação ou divórcio
O que acontece se o casal não chegar a acordo?
Quando não existe acordo entre os membros do casal, o conflito pode ter de ser resolvido em tribunal.
O tribunal analisa vários fatores antes de decidir o destino da casa, incluindo:
Dependendo do caso, o tribunal pode determinar diferentes soluções.
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Situação |
Decisão possível |
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Casa em nome de ambos |
Venda do imóvel e divisão do valor |
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Um quer ficar com a casa |
Compra da quota do outro |
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Existe vulnerabilidade económica |
Uso temporário da casa |
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Não há acordo |
Venda judicial do imóvel |
E se a casa for arrendada?
Quando o casal vive numa casa arrendada, a situação pode ser diferente.
A lei permite que o parceiro que não é titular do contrato de arrendamento possa pedir ao tribunal para permanecer na casa se demonstrar que tem maior necessidade de habitação.
Este direito não é automático e depende da avaliação judicial.
E se a casa foi herdada ou recebida por doação?
Quando o imóvel foi herdado ou doado a apenas um dos membros da união de facto, a propriedade continua a pertencer exclusivamente a essa pessoa.
No entanto, podem surgir situações em que o outro parceiro tenha investido dinheiro na casa, por exemplo:
Nesses casos, pode existir direito a reembolso das despesas comprovadas.
Como evitar conflitos sobre a casa numa união de facto?
Embora muitas pessoas só pensem nestas questões após uma separação, existem formas de prevenir conflitos desde o início da relação.
Contrato de coabitação
Um contrato de coabitação permite definir antecipadamente:
Este tipo de acordo pode evitar conflitos e processos judiciais no futuro.
Registo de contribuições financeiras
Guardar comprovativos de pagamentos relacionados com a casa pode ser essencial para provar contribuições financeiras.
Documentos importantes incluem:
Acompanhamento jurídico
Consultar um advogado ou especialista imobiliário pode ajudar a esclarecer direitos e evitar decisões precipitadas.
O impacto emocional da casa numa separação
A casa não é apenas um bem financeiro. Para muitas pessoas, representa:
Por isso, decidir o que fazer com o imóvel após uma separação pode ser um processo emocionalmente difícil.
Em muitos casos, recorrer a mediação familiar pode ajudar a encontrar soluções equilibradas e evitar conflitos prolongados.
Perguntas frequentes sobre união de facto e casa
Uma união de facto dá direito automático à casa?
Não. A casa pertence legalmente a quem está registado como proprietário no registo predial.
Posso reclamar dinheiro se ajudei a pagar a casa?
Sim, desde que consiga provar as contribuições financeiras feitas durante a relação.
Quem fica com a casa quando há filhos?
O tribunal pode atribuir temporariamente o uso da casa ao progenitor que fica com a guarda maioritária dos filhos.
É possível vender a casa após a separação?
Sim. Muitas vezes a solução mais simples é vender o imóvel e dividir o valor entre as partes.
Conclusão
A separação numa união de facto pode tornar-se especialmente complexa quando existe um imóvel em comum. Como não existe um regime automático de comunhão de bens, o destino da casa depende sobretudo da titularidade do imóvel, das contribuições financeiras e da existência de filhos.
Sempre que possível, a melhor solução é procurar um acordo entre as partes que permita resolver a situação de forma equilibrada e evitar conflitos judiciais prolongados.
Quando isso não acontece, o tribunal pode intervir para determinar a venda do imóvel, atribuir o uso da casa ou definir compensações financeiras.
Se está a passar por uma separação e precisa de decidir o que fazer com a sua casa, contar com aconselhamento profissional pode fazer toda a diferença para proteger o seu património e tomar decisões informadas.
A equipa da RE/MAX Cidadela, com mais de 20 anos de experiência no mercado imobiliário da Linha de Cascais, pode ajudá-lo a avaliar o seu imóvel e a encontrar a melhor solução — seja vender, dividir ou reorganizar o património familiar.
Se pretende compreender quanto vale a sua casa no mercado atual, pode também solicitar uma avaliação gratuita e sem compromisso junto da nossa equipa especializada.
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Por Pedro Pettermann
Pedro Pettermann é Broker da RE/MAX Cidadela em Cascais, com mais de 20 anos de experiência no mercado imobiliário da Linha de Cascais, Lisboa, Oeiras e Sintra. MBA pelo IE Business School, alia visão estratégica a um profundo conhecimento local. Reconhecido como especialista em mercado imobiliário, crédito habitação e marketing digital, ajuda proprietários e compradores a tomar decisões seguras e rentáveis.
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