Quanto Custa o Senior Living em Portugal e Como Pagar com a Venda da Casa

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RE/MAX CIDADELA

Última atualização:  2026-06-09

Blog RE/MAX Cidadela Vender casa após 65 anos
Quanto Custa o Senior Living em Portugal e Como Pagar com a Venda da Casa

O tema do Senior Living está a ganhar força em Portugal, mas ainda é mal compreendido por muitas famílias. Para algumas pessoas, continua a soar a “lar de idosos”. Para outras, parece uma solução premium, distante ou financeiramente inacessível. Na prática, o conceito é mais amplo: pode ir desde uma residência independente com serviços até soluções com maior acompanhamento, conforto e segurança.

Na nossa experiência no mercado imobiliário da Linha de Cascais, esta conversa começa quase sempre da mesma forma. A pessoa ou a família não pergunta apenas “quanto custa uma residência sénior?”. Pergunta, acima de tudo: “será que faz sentido vender a casa?”, “quanto tempo duraria o dinheiro?”, “e se arrendássemos?”, “há imposto sobre mais-valias?”, “e se mais tarde precisar de mais cuidados?”.

Estas são perguntas legítimas, porque a decisão não é apenas imobiliária. É também familiar, fiscal, financeira e emocional. Uma casa em Cascais, Estoril, Oeiras ou Lisboa pode representar décadas de memórias, mas também pode ser o maior ativo patrimonial da família. Quando esse imóvel já está pago, valorizou ao longo dos anos e deixou de se adaptar à fase de vida atual, pode transformar-se numa forma concreta de financiar uma vida mais simples, segura e confortável.

Mas vender a casa para pagar Senior Living não deve ser uma decisão tomada com pressa. Antes de avançar, é essencial saber quanto vale realmente o imóvel, quanto ficaria líquido depois de custos e impostos, que alternativas existem — venda, arrendamento, usufruto ou nua propriedade — e que impacto teria cada cenário nos próximos 10, 15 ou 20 anos.

Este artigo foi escrito para ajudar proprietários e famílias a fazer essa análise com mais clareza. Vai perceber quanto pode custar uma residência sénior em Portugal, como comparar soluções diferentes, quando a venda da casa pode fazer sentido e que cuidados deve ter antes de transformar património imobiliário em rendimento para uma nova fase de vida.

 

Resumo rápido

  • O Senior Living em Portugal é uma solução habitacional pensada para pessoas mais velhas que querem viver com mais conforto, serviços e segurança, mas nem sempre corresponde a um lar tradicional.
  • Em 2026, uma solução de Senior Independent Living pode começar em cerca de 1.000€ por mês, enquanto residências sénior privadas e lares com maior nível de cuidados podem ultrapassar facilmente os 2.000€ mensais.
  • Para muitos proprietários com mais de 65 anos, sobretudo em zonas valorizadas como Cascais, Estoril, Oeiras ou Lisboa, a casa representa o principal ativo financeiro da família.
  • Vender a casa pode libertar capital suficiente para pagar vários anos de residência sénior, especialmente se o imóvel estiver pago e tiver valorizado ao longo das últimas décadas.
  • Em certos casos, quem tem 65 anos ou mais pode beneficiar de exclusão de tributação sobre as mais-valias se reinvestir o valor da venda da habitação própria e permanente em produtos financeiros elegíveis, dentro dos prazos legais.
  • A melhor solução nem sempre é vender. Em alguns casos, pode fazer sentido arrendar a casa, vender a nua propriedade, manter o usufruto ou combinar várias estratégias.
  • Antes de tomar uma decisão, o primeiro passo deve ser perceber quanto vale realmente o imóvel e qual seria o rendimento líquido disponível depois de custos, impostos e eventual reinvestimento.

 

Antes de decidir vender, arrendar ou manter a casa, há uma pergunta que deve vir primeiro: quanto vale realmente o imóvel no mercado atual?

Se está a ponderar usar o valor da sua casa para financiar uma residência sénior ou uma nova fase de vida, comece por saber quanto vale realmente a sua casa. Esse número é a base para comparar cenários, calcular o capital disponível e tomar uma decisão com mais segurança.

Solicite uma avaliação estratégica da casa.

 

O que é Senior Living e porque não é igual a um lar de idosos

Em Portugal, a expressão Senior Living ainda é relativamente recente. Durante muitos anos, a conversa sobre habitação na terceira idade esteve quase sempre limitada a duas opções: ficar na casa de sempre ou ir para um lar. Hoje, a realidade começa a ser mais diversificada.

O Senior Living é um conceito amplo que pode incluir habitação independente com serviços, residências sénior, condomínios sénior, soluções com apoio progressivo e, em alguns casos, estruturas com cuidados mais intensivos. O ponto essencial é perceber que nem todas estas soluções servem o mesmo perfil de pessoa.

O Senior Independent Living destina-se sobretudo a pessoas autónomas, ativas e independentes, que não precisam de cuidados clínicos permanentes, mas querem deixar de carregar o peso de gerir uma casa grande. Neste modelo, a pessoa vive num apartamento próprio ou numa unidade independente, mantendo a sua rotina, privacidade e autonomia, mas com serviços como manutenção, segurança, limpeza, concierge, zonas comuns, ginásio, restaurante ou atividades comunitárias.

O caso mais mediático deste modelo em Portugal é o Club65, do grupo ReVentures, anunciado em 2026: um investimento de cerca de 225 milhões de euros em aproximadamente 900 apartamentos (tipologias T0 a T2) entre Lisboa e Porto, com a primeira residência prevista para abrir em 2027. O pagamento é feito por mensalidade — que inclui serviços como concierge 24/7, manutenção, limpeza, segurança e acesso a áreas comuns — e não por compra ou arrendamento tradicional. Foi este projeto que trouxe a expressão "Senior Independent Living" para o debate público em Portugal, e ajuda a perceber o que distingue este conceito de um lar clássico.

Já uma residência sénior tradicional pode combinar autonomia com serviços de hotelaria, alimentação, acompanhamento e algum apoio diário. Pode ser indicada para pessoas que ainda são relativamente independentes, mas que valorizam mais segurança, acompanhamento e menos responsabilidades domésticas.

Um lar, tecnicamente uma ERPI — Estrutura Residencial para Pessoas Idosas — é diferente. Está mais orientado para pessoas com maior grau de dependência, que precisam de cuidados regulares, apoio nas atividades diárias, supervisão e, em muitos casos, acompanhamento clínico.

A diferença é importante porque muitas famílias rejeitam a ideia de “lar” por associação emocional negativa, mas poderiam considerar uma solução de Senior Living independente se percebessem que o objetivo não é retirar autonomia, mas sim preservar liberdade com mais conforto e menos esforço.

Na prática, o Senior Living pode ser visto como um terceiro caminho: não é ficar sozinho numa casa demasiado grande, nem é necessariamente entrar num lar com cuidados permanentes. É uma forma de adaptar a habitação à fase de vida.

 

Quanto custa uma residência sénior ou Senior Living em Portugal em 2026?

Os valores variam muito. A localização, a tipologia, os serviços incluídos, o grau de apoio e o nível de cuidados fazem uma grande diferença no preço final. Ainda assim, já é possível identificar algumas referências úteis para 2026.

Tipo de solução

Valor mensal aproximado

Perfil mais comum

Senior Independent Living (ex.: Club65)

Desde cerca de 1.000€/mês

Pessoas autónomas que querem viver com serviços, segurança e comunidade

Residência sénior privada

2.000€ a 3.500€/mês

Pessoas que valorizam conforto, hotelaria, acompanhamento e bem-estar

Lar privado em quarto duplo

Cerca de 1.700€/mês

Pessoas que precisam de alojamento e apoio regular em quarto partilhado

Lar privado em quarto individual

Cerca de 1.900€ a 2.000€/mês

Pessoas que procuram mais privacidade e acompanhamento

Lar com enfermagem ou cuidados reforçados

Frequentemente acima de 2.000€/mês

Pessoas com maior dependência ou necessidade de apoio clínico

Lar comparticipado/IPSS

Valor variável, muitas vezes calculado em função do rendimento

Solução social, mas com vagas limitadas e listas de espera

Estes valores devem ser vistos como referências e não como preços finais. Uma mensalidade anunciada “desde 1.000€” pode não incluir todos os serviços que a pessoa irá efetivamente usar. Por outro lado, uma residência mais cara pode incluir alimentação, lavandaria, atividades, acompanhamento permanente e outros serviços que, se fossem pagos separadamente, também teriam custo.

Por isso, ao comparar opções, não basta perguntar “quanto custa por mês?”. É preciso perguntar:

O que está incluído na mensalidade base?

A alimentação está incluída?

Há custos extra com limpeza, lavandaria, enfermagem ou medicação?

O preço muda se a pessoa perder autonomia?

Existe caução, joia de entrada ou contrato mínimo?

O valor é atualizado anualmente?

Há diferença entre T0, T1 e T2?

Esta análise é essencial porque duas soluções com preços aparentemente semelhantes podem ter custos reais muito diferentes ao fim de um ano.

 

Como pagar uma residência sénior com a venda da casa?

Para muitas famílias portuguesas, o principal património acumulado ao longo da vida está concentrado na casa. Isto é especialmente comum entre pessoas com mais de 65 anos que compraram ou construíram a sua habitação há várias décadas e que hoje vivem em imóveis já pagos.

O problema é que esse património nem sempre se traduz em qualidade de vida imediata. A casa pode valer 400.000€, 600.000€ ou mais, mas a pensão mensal pode ser insuficiente para pagar apoio doméstico, cuidados, manutenção, condomínio, obras, seguros, energia e todas as despesas de uma habitação que já não corresponde às necessidades atuais.

É aqui que surge o paradoxo: muitas pessoas são ricas em património, mas pobres em liquidez.

Vender a casa pode transformar esse património parado em capital disponível para financiar uma nova fase de vida. Mas esta decisão deve ser feita com cuidado. Não se trata apenas de vender um imóvel. Trata-se de perceber que rendimento líquido fica disponível, quanto tempo esse capital pode durar, quais os impostos aplicáveis e que alternativas existem para não tomar uma decisão precipitada.

A venda pode ser uma boa opção quando a casa está paga, tem custos elevados de manutenção, deixou de ser funcional, tem escadas, jardim ou áreas pouco usadas, ou quando a pessoa prefere viver num local mais central, seguro e com serviços. Mas pode não ser a melhor solução se a família quiser preservar o património, se o imóvel gerar uma boa renda ou se houver forte ligação emocional e condições para continuar a viver ali com apoio.

 

Exemplo: vender uma casa em Cascais para pagar uma residência sénior

Imagine um casal reformado com uma moradia ou apartamento grande na Linha de Cascais. A casa foi comprada há muitos anos, já está paga e valorizou bastante. Hoje, os filhos já saíram de casa, a manutenção pesa, há divisões que quase não são usadas e a gestão diária tornou-se mais cansativa.

Suponhamos uma venda por 600.000€.

Item

Valor estimado

Valor de venda do imóvel

600.000€

Custos de venda, documentação e preparação

25.000€

Capital líquido antes de eventual imposto

575.000€

Mensalidade de Senior Living independente

1.200€/mês

Custo anual estimado

14.400€/ano

Anos cobertos pelo capital, sem rendimento financeiro

~40 anos

Este exemplo é simplificado, mas mostra a lógica da decisão. Mesmo que a mensalidade fosse de 1.800€ por mês (21.600€/ano), um capital líquido de 575.000€ cobriria cerca de 27 anos de mensalidades (575.000€ ÷ 21.600€ ≈ 26,6), sem contar com qualquer rendimento financeiro

Num cenário mais modesto, imagine um apartamento vendido por 350.000€, com cerca de 330.000€ líquidos depois de custos. Se a mensalidade fosse de 1.300€ por mês (15.600€/ano), esse capital cobriria cerca de 21 anos de mensalidade (330.000€ ÷ 15.600€ ≈ 21,2), antes de considerar rendimentos, impostos ou outros encargos.

Naturalmente, estas contas não dispensam simulação individual. É preciso considerar impostos, eventuais créditos, despesas de saúde, inflação, rendimento do capital, apoio familiar e o tipo de solução escolhida. Mas a conclusão prática é clara: para muitos proprietários com casa paga em zonas valorizadas, a questão deixa de ser apenas “tenho dinheiro para pagar?” e passa a ser “qual é a forma mais segura de estruturar esta decisão?”.

 

Vender casa aos 65 anos: quando pode haver isenção de mais-valias?

A fiscalidade é uma das partes mais importantes desta decisão. Quando alguém vende um imóvel por valor superior ao de aquisição, pode existir uma mais-valia sujeita a IRS. No entanto, a lei portuguesa prevê regimes de exclusão de tributação em determinadas situações, nomeadamente quando está em causa a venda da habitação própria e permanente.

Para pessoas com 65 anos ou mais, ou reformadas, pode existir uma possibilidade relevante: em vez de reinvestir o valor da venda noutra habitação própria e permanente, o contribuinte pode, cumprindo os requisitos legais, reinvestir em certos produtos financeiros elegíveis.

Entre esses produtos podem estar contratos de seguro financeiro do ramo vida, fundos de pensões abertos, contribuições para o regime público de capitalização ou produtos individuais de reforma pan-europeus, desde que respeitadas as condições previstas no Código do IRS.

De forma simplificada, há quatro pontos que devem ser analisados:

O imóvel vendido deve corresponder à habitação própria e permanente, salvo situações específicas que devem ser avaliadas caso a caso.

O reinvestimento deve ser feito dentro do prazo legal.

O produto financeiro deve garantir prestações regulares durante um período mínimo previsto na lei.

A prestação anual não pode ultrapassar o limite legal aplicável ao valor investido.

Na prática, este regime pode permitir transformar parte do valor da casa numa prestação regular para complementar a reforma e ajudar a pagar uma residência sénior. Mas é fundamental ter prudência: nem todas as vendas qualificam, nem todos os produtos servem, nem todas as situações familiares são simples.

Antes de vender, deve falar com um contabilista certificado, fiscalista ou consultor financeiro qualificado. A decisão imobiliária e a decisão fiscal devem ser pensadas em conjunto, porque um erro de calendário, produto ou enquadramento pode custar dezenas de milhares de euros.

 

Vender, arrendar ou manter a casa: qual é a melhor opção?

Vender a casa pode ser a solução mais simples, mas não é a única. A escolha depende dos objetivos da pessoa, da família, do estado do imóvel, da necessidade de liquidez e da importância de manter património para herdeiros.

Opção

Principal vantagem

Principal risco

Quando pode fazer sentido

Vender a casa

Liberta capital imediato e simplifica a vida

Perde o ativo familiar

Quando a pessoa quer liquidez, segurança e menos responsabilidades

Arrendar a casa

Mantém o património e gera rendimento mensal

Risco de inquilinos, obras, vacância e gestão

Quando a renda cobre boa parte da mensalidade da residência

Manter a casa

Preserva a ligação emocional e o controlo total

Custos, isolamento, manutenção e capital parado

Quando há autonomia, apoio familiar e baixos custos

Vender a nua propriedade

Permite receber capital mantendo o usufruto

O valor de venda é inferior ao valor livre do imóvel

Quando a pessoa quer liquidez, mas ainda não quer sair da casa

Vender e reinvestir financeiramente

Pode gerar rendimento periódico e enquadramento fiscal favorável

Exige aconselhamento fiscal e financeiro rigoroso

Quando o objetivo é transformar património imobiliário em rendimento

Arrendar a casa pode parecer uma excelente alternativa, mas é preciso fazer as contas líquidas. Uma renda de 2.000€ por mês não significa 2.000€ disponíveis. Há IRS sobre rendas, IMI, condomínio, seguros, manutenção, eventuais períodos sem inquilino e custos de gestão. Ainda assim, em algumas zonas, pode ser uma solução interessante para famílias que não querem vender já.

Manter a casa também tem custos escondidos. Uma moradia grande pode exigir reparações, jardim, limpeza, aquecimento, seguros, IMI, condomínio ou obras de adaptação. Além disso, há um custo mais difícil de medir: o esforço físico e emocional de viver numa casa que já não acompanha a fase de vida.

Vender a nua propriedade mantendo o usufruto pode ser uma solução intermédia, mas é mais complexa e geralmente resulta num valor de venda inferior. Pode fazer sentido em situações específicas, sobretudo quando a pessoa quer liquidez, mas pretende continuar a viver na casa durante algum tempo.

 

O custo de não fazer nada

Quando se fala em mudar para Senior Living ou residência sénior, muitas famílias olham apenas para a mensalidade. É normal. Um valor de 1.500€, 2.000€ ou 2.500€ por mês parece elevado quando comparado com a pensão.

Mas a comparação correta não é apenas entre pensão e mensalidade. A comparação deve ser entre o custo real de ficar na casa atual e o custo real de mudar para uma solução com serviços.

Ficar em casa pode implicar IMI, condomínio, seguros, obras, manutenção, limpeza, energia, apoio doméstico, deslocações, adaptação da casa, assistência familiar e, em alguns casos, isolamento. Estes custos não aparecem todos numa única fatura, mas existem.

Além disso, há o custo de oportunidade. Uma casa de 600.000€ onde vive uma ou duas pessoas pode representar centenas de milhares de euros parados, sem gerar rendimento e sem melhorar diretamente a qualidade de vida.

A pergunta certa não é “quanto custa sair de casa?”. A pergunta certa é: quanto custa continuar numa casa que já não serve bem a fase de vida atual?

Veredito do Broker

Na Linha de Cascais, esta decisão deve começar sempre por uma avaliação realista do imóvel. Uma diferença de apenas 5% no preço de venda de uma casa de 600.000€ representa 30.000€. Esse valor pode equivaler a cerca de dois anos de mensalidade numa solução de Senior Living de 1.250€ por mês.

É por isso que vender depressa não deve ser o objetivo principal. O objetivo deve ser vender bem, com uma estratégia clara, sabendo quanto fica líquido depois de custos, impostos e eventual reinvestimento.

Também é importante separar valor emocional de valor de mercado. Para a família, a casa pode representar memórias, filhos, netos e décadas de vida. Para o mercado, representa localização, estado de conservação, área, exposição solar, eficiência energética, estacionamento, procura na zona e preço comparável de imóveis semelhantes.

Antes de decidir vender, arrendar ou manter, vale a pena fazer três contas:

Quanto vale realmente o imóvel hoje?

Quanto ficaria líquido depois da venda?

Quanto rendimento mensal poderia esse capital gerar ou quantos anos de residência poderia financiar?

Só depois destas respostas é que a decisão deixa de ser uma ideia abstrata e passa a ser um plano concreto.

 

Erros comuns ao vender a casa para pagar Senior Living

O primeiro erro é decidir apenas com base na mensalidade da residência. A mensalidade é importante, mas não diz tudo. É preciso saber o custo anual total, os extras, a evolução provável do preço e o que acontece se a pessoa precisar de mais cuidados no futuro.

O segundo erro é vender a casa sem simular previamente o impacto fiscal. A isenção de mais-valias para maiores de 65 anos pode ser muito relevante, mas depende de condições concretas. Se a operação for mal estruturada, a família pode perder uma vantagem fiscal importante.

O terceiro erro é subavaliar o imóvel para vender mais depressa. Em zonas como Cascais, Estoril, Oeiras ou Lisboa, pequenas diferenças na estratégia de preço podem representar dezenas de milhares de euros. E esse dinheiro pode fazer muita diferença na segurança financeira dos anos seguintes.

O quarto erro é ignorar a vontade da pessoa que vai mudar. Muitas vezes, os filhos analisam o tema apenas do ponto de vista prático. Mas esta é também uma decisão emocional. Sair de uma casa onde se viveu 30 ou 40 anos exige tempo, respeito e acompanhamento.

O quinto erro é não comparar alternativas. Vender pode ser a melhor solução, mas arrendar, vender a nua propriedade, adaptar a casa ou escolher uma solução intermédia também podem ser opções válidas, dependendo do caso.

 

Senior Living compensa?

A resposta depende da pessoa, da família e do património disponível. Pode compensar quando a casa atual é demasiado grande, cara de manter, pouco funcional ou isolada, e quando a pessoa valoriza segurança, serviços, convívio e localização central. Pode não compensar quando há forte autonomia, baixos custos de habitação, apoio familiar próximo e uma casa já adaptada — casos em que o apoio domiciliário pode ser a melhor alternativa.

O ponto essencial é não olhar para o Senior Living apenas como uma despesa, mas como uma troca entre património imobiliário, liquidez, conforto, segurança e qualidade de vida. A melhor resposta não vem de uma regra geral, mas de uma análise personalizada

 

Perguntas frequentes sobre Senior Living, lares e venda da casa

Quanto custa o Senior Living em Portugal?

Em 2026, uma solução de Senior Independent Living pode começar em cerca de 1.000€ por mês, dependendo da localização, tipologia e serviços incluídos. Residências sénior privadas e lares com maior nível de apoio podem situar-se frequentemente entre 2.000€ e 3.500€ por mês.

Senior Living é o mesmo que lar de idosos?

Não. O Senior Independent Living destina-se sobretudo a pessoas autónomas que querem viver num apartamento ou residência com serviços, segurança e comunidade. Um lar, ou ERPI, está mais orientado para pessoas com maior dependência e necessidade de cuidados regulares.

Posso pagar uma residência sénior com a venda da minha casa?

Sim. Para muitos proprietários com casa paga, a venda pode libertar capital suficiente para pagar vários anos de residência sénior. A viabilidade depende do valor do imóvel, dos custos de venda, dos impostos, da mensalidade escolhida e da forma como o capital é gerido depois da venda.

Tenho de vender a casa para ir para uma residência sénior?

Não obrigatoriamente. Pode vender, arrendar, manter o imóvel, vender a nua propriedade mantendo o usufruto ou usar uma combinação de soluções. A melhor opção depende da necessidade de liquidez, da vontade de preservar património e do rendimento que o imóvel pode gerar.

Vender casa depois dos 65 anos paga mais-valias?

Pode pagar, mas também pode existir exclusão de tributação em certas situações. Se estiver em causa a habitação própria e permanente e forem cumpridas as condições legais, pessoas com 65 anos ou mais podem beneficiar de regimes específicos de reinvestimento. Deve confirmar sempre o caso com um contabilista certificado ou fiscalista.

É melhor vender ou arrendar a casa para pagar Senior Living?

Depende. Vender simplifica e liberta capital imediato. Arrendar permite manter o património e gerar rendimento mensal, mas implica gestão, impostos, manutenção e risco de vacância. A decisão deve ser feita com contas líquidas, não apenas com valores brutos.

Uma casa em Cascais pode pagar vários anos de residência sénior?

Em muitos casos, sim. Imóveis em Cascais, Estoril, Oeiras ou Lisboa podem representar um património significativo. Uma venda bem estruturada pode financiar muitos anos de mensalidade, especialmente se a casa estiver paga e se o capital for gerido com prudência.

Qual é o primeiro passo antes de vender a casa?

O primeiro passo é obter uma avaliação realista do imóvel. Sem saber quanto vale a casa no mercado atual, é impossível calcular quanto ficará disponível, que opções existem e se a venda, o arrendamento ou outra solução faz mais sentido.

 

Conclusão: antes de decidir, faça as contas certas

Mudar para uma solução de Senior Living não é apenas uma decisão imobiliária. É uma decisão sobre qualidade de vida, segurança, autonomia, família e futuro.

O mais importante é não decidir com base em medo, pressão familiar ou ideias vagas. Antes de vender, arrendar ou manter a casa, deve saber quanto vale o imóvel, que custos terá, que impostos podem aplicar-se, que rendimento pode gerar e quanto custará realmente a solução sénior escolhida.

Se tem uma casa em Cascais, Estoril, Oeiras, Lisboa ou Sintra e está a ponderar este caminho, comece pelo essencial: perceber o valor real do imóvel e comparar cenários com números concretos.

A RE/MAX Cidadela pode ajudá-lo a avaliar a sua casa, analisar alternativas e preparar uma decisão informada, discreta e ajustada à sua realidade familiar.

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Este artigo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento fiscal, jurídico ou financeiro. As regras fiscais, os valores de mercado e as condições de cada residência podem mudar e devem ser confirmados junto de profissionais qualificados antes de qualquer decisão.

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Sobre o autor: Pedro Pettermann

Pedro Pettermann é Broker da RE/MAX Cidadela em Cascais, com mais de 20 anos de experiência no mercado imobiliário da Linha de Cascais, Lisboa, Oeiras e Sintra. MBA pelo IE Business School, alia visão estratégica a um profundo conhecimento local. Reconhecido como especialista em mercado imobiliário, crédito habitação e marketing digital, ajuda proprietários e compradores a tomar decisões seguras e rentáveis.

Pedro Pettermann | LinkedIn

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