RE/MAX CIDADELA
Última atualização: 2026-09-23
Ajudar um filho a comprar casa pode significar coisas muito diferentes: dar dinheiro para a entrada, emprestar esse dinheiro, ser fiador, entrar no crédito habitação, comprar parte do imóvel ou até oferecer outro imóvel como garantia ao banco.
E estas alternativas não produzem as mesmas consequências.
Algumas permitem ao filho ficar proprietário da casa e financeiramente independente desde o primeiro dia. Outras podem deixar os pais responsáveis por uma dívida de várias décadas, afetar a sua própria capacidade de obter crédito ou criar questões futuras entre irmãos e herdeiros.
Na RE/MAX Cidadela acompanhamos famílias na compra e venda de imóveis desde 2004, sobretudo em Cascais, Oeiras, Lisboa e Sintra. Uma das situações que encontramos com crescente frequência é precisamente esta: os filhos têm rendimento para suportar uma casa, mas não conseguem reunir sozinhos todas as condições necessárias para a comprar.
Por isso, antes de transferir dinheiro ou assinar como fiador, é importante perceber qual é exatamente o obstáculo à compra. Se faltar apenas dinheiro para a entrada, a solução pode ser relativamente simples. Se o problema for a taxa de esforço ou a capacidade financeira reconhecida pelo banco, dar mais 20.000 € pode não resolver a situação.
Neste guia explicamos as 7 principais formas de os pais ajudarem um filho a comprar casa em Portugal, os riscos de cada uma e em que situações podem fazer sentido.
Resumo Rápido
Antes de ajudar, descubra qual é realmente o problema
Este é provavelmente o passo mais importante.
Imagine um jovem casal que pretende comprar uma casa por 350.000 €. Tem rendimentos suficientes para pagar uma prestação mensal razoável, mas apenas conseguiu acumular 20.000 €.
Numa operação normal de crédito para habitação própria permanente, a recomendação macroprudencial do Banco de Portugal estabelece um limite máximo de LTV de 90%, calculado sobre o menor valor entre o preço de compra e a avaliação bancária. Isto significa que, fora de regimes especiais, poderá ser necessário financiar com capitais próprios pelo menos parte do preço, além dos restantes custos da aquisição.
Neste caso, o problema pode ser essencialmente a entrada.
Mas imagine agora outra situação. O filho já tem 70.000 € disponíveis, mas os seus rendimentos não são suficientes para que o banco considere sustentável o empréstimo pretendido.
Aqui, oferecer mais 20.000 € pode reduzir o financiamento necessário, mas pode não resolver o problema de solvabilidade. O banco continua obrigado a avaliar a capacidade presente e futura dos mutuários para pagar o crédito.
É por isso que os pais deveriam começar por responder a quatro perguntas:
A resposta muda completamente a estratégia.
As 7 formas de os pais ajudarem um filho a comprar casa
Existem diversas combinações possíveis, mas estas são as sete estruturas que uma família deverá normalmente analisar.
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Forma de ajudar |
Quando pode fazer sentido |
Principal risco para os pais |
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Doar dinheiro |
Falta entrada ou capital próprio |
O dinheiro deixa definitivamente o património dos pais |
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Emprestar dinheiro |
Os pais querem recuperar o capital |
Conflitos ou problemas se o empréstimo não for formalizado |
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Ser fiador |
O banco exige reforço de garantia pessoal |
Poder ter de pagar a dívida |
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Ser mutuário |
O rendimento do filho é insuficiente |
Os pais tornam-se também devedores |
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Dar um imóvel como garantia |
É necessária garantia adicional |
O imóvel dos pais pode ser executado |
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Comprar em conjunto |
Pais querem participar no investimento |
Compropriedade e futuras decisões conjuntas |
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Comprar em nome dos pais |
Filho ainda não consegue comprar |
Filho não é proprietário e haverá eventual transmissão futura |
A diferença fundamental está no nível de envolvimento.
Dar dinheiro pode terminar a intervenção dos pais no momento da compra. Entrar no crédito ou na propriedade pode ligar financeiramente pais e filhos durante décadas.
1. Dar dinheiro ao filho para a entrada da casa
Provavelmente é uma das soluções mais comuns.
Os pais transferem determinada quantia para o filho, que a utiliza para completar a entrada, pagar impostos ou reduzir o financiamento bancário necessário.
Fiscalmente existe uma particularidade importante.
Em Portugal, os descendentes e ascendentes estão isentos do pagamento do Imposto do Selo de 10% aplicável às transmissões gratuitas. Desde as alterações introduzidas em 2024, os donativos até 5.000 € entre cônjuges, unidos de facto, descendentes e ascendentes não estão sequer sujeitos a Imposto do Selo. Para valores superiores, apesar da isenção aplicável aos filhos, existem obrigações declarativas que devem ser verificadas. A Autoridade Tributária refere, como regra, a entrega da participação Modelo 1 até ao final do terceiro mês seguinte à doação.
Mas o imposto não é o único tema.
Imagine dois filhos. Um recebe 80.000 € dos pais para comprar casa e o outro não recebe nada. Essa decisão pode posteriormente ter consequências na partilha da herança.
O artigo 2104.º do Código Civil prevê a colação, através da qual determinadas doações feitas a descendentes podem ter de ser consideradas na futura partilha da herança para efeitos de igualação. Além disso, liberalidades que prejudiquem a legítima dos herdeiros legitimários podem ser consideradas inoficiosas.
Por isso, quando estão em causa valores elevados, o ideal é que a família pense simultaneamente na compra da casa e no planeamento patrimonial futuro.
Quando a ajuda consiste essencialmente em disponibilizar capital para a entrada, vale a pena perceber primeiro as diferenças entre dar dinheiro aos filhos para comprar casa e estruturar essa ajuda como empréstimo, porque as consequências fiscais, patrimoniais e sucessórias não são exatamente as mesmas.
Para desenvolver esta questão, o pillar deverá encaminhar para o artigo “Dar Dinheiro aos Filhos para Comprar Casa: Impostos, Empréstimo ou Doação?”.
2. Emprestar dinheiro ao filho em vez de o doar
Nem todos os pais querem — ou podem — oferecer definitivamente 50.000 €, 100.000 € ou mais.
Existe outra possibilidade: emprestar o dinheiro.
Por exemplo, os pais disponibilizam 60.000 € para a entrada e acordam que o filho devolverá 500 € mensais ou que restituirá o dinheiro quando vender futuramente a casa.
A vantagem é evidente: o património dos pais não é definitivamente transferido.
Mas existe um erro frequente: tratar dezenas de milhares de euros como se fossem apenas uma transferência informal entre contas bancárias.
O Código Civil estabelece formalidades específicas para o contrato de mútuo. Atualmente, um empréstimo superior a 2.500 € deve constar de documento assinado pelo mutuário e, quando ultrapassa 25.000 €, exige escritura pública ou documento particular autenticado.
Além da forma jurídica, convém definir claramente valor, prazo, eventual remuneração, forma de reembolso e o que acontece perante determinadas situações familiares.
Um empréstimo mal documentado pode transformar-se, anos depois, numa discussão sobre se aquele dinheiro foi realmente emprestado ou oferecido.
Se os pais pretendem recuperar posteriormente o capital, torna-se particularmente importante analisar se é preferível doar ou emprestar dinheiro aos filhos, bem como documentar corretamente a operação.
3. Os pais serem fiadores do crédito habitação
Outra possibilidade é o filho contratar o crédito e os pais prestarem uma fiança.
Aqui existe uma diferença essencial relativamente à doação:
os pais podem não entregar um único euro no momento da compra, mas assumem um risco potencial muito elevado.
Segundo o Banco de Portugal, o fiador responsabiliza-se pelo pagamento do empréstimo se o devedor não cumprir. Dependendo do contrato, pode ainda existir renúncia ao benefício da excussão prévia, permitindo ao banco exigir diretamente ao fiador os montantes em dívida.
Além disso, a fiança aparece na Central de Responsabilidades de Crédito como responsabilidade potencial enquanto o financiamento se encontrar regular.
Existe ainda outro detalhe que muitos pais desconhecem:
não basta decidir mais tarde que já não querem ser fiadores.
O Banco de Portugal esclarece que o fiador apenas pode deixar de o ser se a instituição de crédito aceitar a sua substituição ou libertação.
É portanto uma decisão que deve ser analisada como um compromisso financeiro de longo prazo e não como uma simples assinatura necessária para “ajudar o banco a aprovar”.
Quando o problema não é a entrada, mas a capacidade de financiamento, a decisão muda. Antes de assinar qualquer contrato, importa perceber as diferenças entre ser fiador, mutuário ou simplesmente ajudar com a entrada, porque o nível de responsabilidade financeira dos pais é muito diferente.
4. Os pais entrarem como mutuários do crédito habitação
Ser fiador e ser mutuário não são a mesma coisa.
O fiador garante uma obrigação de terceiro. O mutuário é parte diretamente responsável pelo empréstimo.
Quando os rendimentos do filho não permitem obter sozinho determinado financiamento, alguns bancos podem analisar uma estrutura em que um ou ambos os pais também integrem o contrato de crédito.
Isso pode aumentar o rendimento considerado na análise bancária, mas cria uma ligação financeira muito mais profunda.
A dívida passa a integrar as responsabilidades dos pais e pode condicionar decisões futuras: comprar outra casa, mudar de residência, pedir financiamento ou simplesmente reorganizar o seu património na reforma.
Existe ainda uma questão particularmente importante em 2026.
O atual regime de garantia pública para jovens até aos 35 anos, aplicável aos contratos que cumpram os requisitos e sejam celebrados até 31 de dezembro de 2026, determina que todos os compradores sejam mutuários e cumpram os requisitos de elegibilidade. A inclusão dos pais na estrutura pode, portanto, ser incompatível com este regime em determinadas situações.
É um bom exemplo de como acrescentar os pais ao financiamento sem analisar previamente todas as alternativas pode acabar por retirar ao filho outro benefício potencial.
Para aprofundar esta decisão temos o artigo “Ajudar um Filho no Crédito Habitação: Fiador, Mutuário ou Dar Dinheiro?”.
5. Dar um imóvel dos pais como garantia adicional
Existe uma alternativa menos conhecida: os pais podem, se a instituição financeira aceitar, hipotecar um imóvel seu como garantia de uma dívida do filho.
O próprio Banco de Portugal confirma que a hipoteca pode incidir sobre um imóvel pertencente a uma terceira pessoa, incluindo um familiar.
O Código Civil prevê igualmente que a hipoteca possa recair sobre imóveis pertencentes ao devedor ou a terceiro.
Esta solução pode ser analisada quando existe património familiar, mas não liquidez suficiente ou quando o banco exige um reforço das garantias.
Contudo, o risco é evidente.
Se o empréstimo deixar de ser pago, o imóvel hipotecado pode ser objeto de execução para satisfação da dívida.
Imagine pais de 65 anos que hipotecam uma casa totalmente paga para ajudar um filho de 30 anos a comprar outra. Do ponto de vista patrimonial, estão a transformar um ativo sem dívida destinado eventualmente à sua reforma numa garantia de um financiamento que poderá durar várias décadas.
Por esse motivo, esta deve ser uma solução particularmente ponderada.
6. Comprar a casa em conjunto com o filho
Outra possibilidade é pais e filho comprarem conjuntamente o imóvel.
Por exemplo:
o filho adquire 70% e os pais 30%.
Neste caso já não estamos apenas perante uma ajuda financeira. Estamos perante compropriedade do imóvel.
Cada proprietário possui uma quota-parte e decisões futuras — venda, financiamento, utilização ou transmissão — terão de ser analisadas tendo essa estrutura em consideração.
Também pode haver consequências fiscais.
A Autoridade Tributária trata a aquisição em compropriedade considerando as quotas adquiridas por cada comprador. No regime do IMT Jovem, a finalidade de habitação própria permanente também é relevante para o imóvel no seu conjunto; a AT esclarece, por exemplo, que se um comproprietário destinar a sua parte a habitação secundária, isso pode impedir o benefício relativamente à aquisição.
Além disso, quando os pais falecerem, a quota de que sejam proprietários integrará normalmente a respetiva herança.
Se existirem vários filhos, aquele que vive na casa poderá um dia encontrar-se proprietário do imóvel juntamente com irmãos ou outros herdeiros.
É precisamente por estas razões que comprar uma casa em conjunto deve ser decidido pensando não apenas na escritura de hoje, mas também na venda, separação, morte e partilha de amanhã.
7. Os pais comprarem a casa e deixarem o filho utilizá-la
Existe ainda uma solução aparentemente simples:
os pais compram o imóvel em seu nome e o filho passa a viver nele.
Pode fazer sentido quando os pais dispõem de capacidade financeira mas o filho ainda não consegue obter financiamento, tem rendimentos instáveis ou está numa fase profissional muito inicial.
Contudo, do ponto de vista patrimonial, a realidade é clara:
a casa pertence aos pais e não ao filho.
Se mais tarde decidirem transmitir o imóvel ao filho, haverá uma nova operação jurídica e fiscal.
Nas doações de imóveis entre pais e filhos existe isenção da componente de 10% do Imposto do Selo aplicável às transmissões gratuitas entre ascendentes e descendentes, mas continua a ser aplicável a taxa de 0,8% sobre a transmissão do direito de propriedade do imóvel.
A futura transmissão pode igualmente interagir com a herança e com os direitos dos restantes descendentes.
Por isso, comprar hoje em nome dos pais com a ideia informal de “um dia passamos para o nome dele” merece planeamento antecipado.
Qual destas formas de ajuda faz mais sentido?
Não existe uma resposta universal.
Mas existe uma regra prática muito útil:
a solução deve atacar o problema que está a impedir a compra, assumindo o menor risco familiar necessário para o resolver.
Se o filho tem rendimento suficiente para pagar a prestação e apenas lhe faltam 30.000 € para completar os capitais próprios, transformar os pais em mutuários durante 30 anos pode ser desnecessariamente complexo.
Uma doação ou um empréstimo familiar bem estruturado poderá ser suficiente.
Se, pelo contrário, o problema é a capacidade financeira reconhecida pelo banco, simplesmente dar dinheiro pode não resolver tudo. Será necessário perceber que montante de financiamento é sustentável e que estrutura o banco aceita.
E se a família pretende efetivamente investir em conjunto no imóvel, então a questão já não é apenas “como ajudar o filho”, mas como dividir propriedade, investimento, riscos e futuras mais-valias.
É precisamente por isso que a análise deve começar antes de fazer a proposta pela casa.
Atenção à garantia pública e ao IMT Jovem
Em 2026 existem medidas que podem alterar substancialmente a estratégia de compra de alguns jovens.
O regime da garantia pública para jovens até aos 35 anos permite, desde que cumpridos todos os requisitos, financiamento entre 85% e 100% do valor da transação, ficando a garantia do Estado limitada a 15% desse valor. O regime atualmente em vigor abrange contratos celebrados até 31 de dezembro de 2026 e imóveis com valor de transação até 450.000 €.
Importa perceber que a garantia pública não obriga o banco a aprovar o crédito nem elimina a análise da capacidade financeira do comprador.
Existe igualmente o regime de IMT Jovem. Em 2026, a Autoridade Tributária indica para o Continente isenção nas condições previstas para a primeira aquisição de habitação própria permanente até ao limite aplicável de 330.539 €, existindo tratamento próprio acima desse valor.
Consequentemente, antes de colocar os pais na escritura ou no financiamento, convém verificar se isso interfere com benefícios a que o filho poderia ter direito individualmente.
Um exemplo: ajudar com 60.000 € não é sempre a mesma coisa
Imagine que um filho pretende comprar uma casa de 400.000 €.
Os pais têm 60.000 € disponíveis.
Podem simplesmente oferecer esse dinheiro. Podem emprestá-lo. Podem guardar os 60.000 € e tornar-se fiadores. Podem entrar no crédito. Podem comprar uma percentagem da casa. Ou podem conservar o dinheiro e dar outro imóvel como garantia.
O valor económico aparente da ajuda pode ser semelhante, mas o risco patrimonial é completamente diferente.
Numa doação, os pais perdem imediatamente a disponibilidade dos 60.000 €, mas podem ficar sem qualquer responsabilidade futura pelo crédito.
Numa fiança, conservam os 60.000 €, mas podem ficar expostos a uma dívida muito superior.
Se comprarem 15% da casa, passam a possuir um ativo, mas criam uma situação de compropriedade.
Se hipotecarem um imóvel próprio, não entregam dinheiro, mas colocam esse imóvel em risco.
A pergunta correta, portanto, não é apenas:
“Quanto podemos ajudar?”
Deverá ser:
“Qual é a forma de ajuda que resolve o problema do nosso filho sem criar um risco desnecessário para a família?”
E se existirem vários filhos?
Este é um dos temas que mais facilmente é esquecido.
Uma ajuda de 100.000 € pode parecer apenas uma decisão entre pais e filho no momento da compra, mas pode reaparecer muitos anos depois durante uma herança.
O Código Civil prevê mecanismos destinados a proteger a legítima dos herdeiros legitimários e regras de colação relativamente a determinadas doações feitas aos descendentes.
Imagine uma família com dois filhos.
Os pais ajudam um deles com 150.000 € para comprar casa aos 30 anos. Vinte anos depois ocorre a abertura da sucessão.
Se nunca ficou claramente definido e documentado como aquela transferência deveria ser tratada, pode surgir uma das discussões familiares mais difíceis:
foi uma ajuda adicional ou uma antecipação do património que deveria ser repartido pelos dois?
Quanto maior for o valor da ajuda, maior é a importância de enquadrar esta questão desde o início.
Veredito do Broker: qual é normalmente a solução mais simples?
Depende do problema que está a impedir a compra.
Quando o filho tem rendimentos suficientes para suportar sozinho o crédito e apenas precisa de capital para completar a compra, uma doação ou um empréstimo familiar devidamente estruturado tende a preservar melhor a independência entre as gerações.
Quando o problema é a capacidade financeira do filho, poderá ser necessário estudar alternativas como fiadores ou mutuários adicionais — mas o risco para os pais aumenta significativamente.
Comprar em conjunto ou dar um imóvel dos pais como garantia deve normalmente ser encarado como uma decisão patrimonial e não simplesmente como uma formalidade necessária para obter crédito.
A regra que aplicaria é simples:
quanto mais longa for a responsabilidade dos pais depois da escritura, maior deverá ser a análise antes de assinar.
Perguntas frequentes sobre ajudar um filho a comprar casa
Os pais podem dar dinheiro aos filhos para comprar casa?
Sim. Os pais podem doar dinheiro aos filhos para financiar a entrada ou outros custos relacionados com a compra.
Ascendentes e descendentes beneficiam de isenção relativamente à taxa de 10% do Imposto do Selo aplicável às transmissões gratuitas, embora possam existir obrigações declarativas consoante o montante e a natureza da operação.
É melhor doar ou emprestar dinheiro?
Depende sobretudo da situação patrimonial dos pais.
Se não necessitam de recuperar esse capital, a doação simplifica a relação futura. Se os pais querem manter o direito a receber o dinheiro de volta, um empréstimo pode ser mais apropriado, mas deve ser corretamente documentado.
Ser fiador significa que os pais ficam donos da casa?
Não.
Ser fiador do crédito não atribui propriedade sobre o imóvel. A propriedade resulta da aquisição constante da escritura ou documento equivalente. A fiança significa, essencialmente, prestar uma garantia perante o credor.
O banco pode pedir aos pais para entrarem no crédito?
A estrutura do financiamento depende da avaliação da instituição.
Se o filho não tiver capacidade financeira suficiente, poderá ser estudada a inclusão de outros mutuários ou de garantias adicionais. Contudo, isso altera substancialmente o risco assumido pelos pais e deverá ser analisado antes da decisão de compra.
Um imóvel dos pais pode servir de garantia ao crédito do filho?
Sim, se o banco aceitar.
O Banco de Portugal confirma que uma hipoteca pode incidir sobre um imóvel pertencente a terceiro, incluindo um familiar. O proprietário desse imóvel deve, porém, compreender que poderá ocorrer execução da garantia em caso de incumprimento.
É melhor colocar a casa em nome do filho ou dos pais?
Depende da origem do dinheiro, da necessidade de crédito, da intenção patrimonial da família e da existência de outros herdeiros.
Colocar a casa em nome dos pais pode resolver uma necessidade imediata, mas implica que uma futura passagem para o filho corresponda a uma nova transmissão. Comprar diretamente em nome do filho tende a evitar essa segunda operação quando o objetivo final é que seja efetivamente ele o proprietário.
A ajuda dos pais pode afetar uma futura herança?
Pode.
Doações significativas feitas a descendentes podem ter relevância futura na partilha, designadamente através das regras da colação e da proteção da legítima dos herdeiros legitimários. Por isso, operações de valor elevado devem ser analisadas também numa perspetiva sucessória.
A garantia pública para jovens significa que já não é necessária ajuda dos pais?
Não necessariamente.
A garantia pública pode facilitar o financiamento inicial de jovens elegíveis, mas o banco continua a avaliar a sua capacidade financeira. Além disso, existem condições relativas à idade, primeira habitação, rendimento, valor do imóvel e restantes requisitos.
Ajudar um filho a comprar casa exige mais do que escolher quanto dinheiro dar
Para muitas famílias, ajudar um filho a comprar a primeira casa é uma das maiores transferências de património que farão em vida.
Por isso, a decisão não deveria começar pela pergunta “quanto podemos dar?”, mas sim pela análise da situação financeira do filho, da estrutura do crédito e das consequências para o património familiar.
Doação, empréstimo, fiança, cofinanciamento, hipoteca de outro imóvel e compropriedade podem todos permitir chegar ao mesmo objetivo: comprar a casa.
Mas os riscos são profundamente diferentes.
A melhor solução é aquela que permite ao filho comprar de forma financeiramente sustentável sem colocar desnecessariamente em risco a segurança financeira dos pais ou criar um problema futuro entre herdeiros.
Antes de dar dinheiro ou assinar como fiador, perceba qual é a solução mais segura
Se está a pensar ajudar um filho a comprar casa, não comece por decidir quanto dinheiro vai dar nem por aceitar imediatamente ser fiador.
O primeiro passo é perceber quanto o seu filho consegue realmente financiar sozinho, qual será a entrada necessária e se existem alternativas que permitam concretizar a compra sem comprometer desnecessariamente o património ou a capacidade financeira dos pais.
Na RE/MAX Cidadela, acompanhamos famílias na compra de casa desde 2004 em Cascais, Oeiras, Lisboa e Sintra e disponibilizamos, sem custos para o cliente, o apoio do nosso intermediário de crédito da Maxfinance.
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RE/MAX CIDADELA
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Sobre o Autor: Pedro Pettermann
Broker da RE/MAX Cidadela em Cascais, com mais de 20 anos de experiência no mercado imobiliário da Linha de Cascais, Lisboa, Oeiras e Sintra. Licenciado em Gestão e MBA pelo IE Business School, alia visão estratégica a um profundo conhecimento local. Reconhecido como especialista em mercado imobiliário, crédito habitação e marketing digital, ajuda proprietários e compradores a tomar decisões seguras e rentáveis.
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