Vender um imóvel com usufruto em Portugal é possível, mas a forma de venda depende de quem detém cada direito. Se existir usufruto ativo, o nu-proprietário pode vender a nua-propriedade sem autorização do usufrutuário. Já para vender a propriedade plena, é indispensável o consentimento do usufrutuário.
Na prática, isto significa que o usufruto pode limitar o tipo de venda, reduzir o valor de mercado do imóvel e afastar parte dos compradores — sobretudo quando se trata de usufruto vitalício. Também levanta dúvidas frequentes sobre IMI, rendas, avaliação, heranças e registo predial.
Neste guia, explicamos de forma simples como funciona o usufruto, quando é possível vender, como estimar o seu valor, que documentos analisar e que cuidados jurídicos e fiscais deve ter antes de avançar.
Na RE/MAX Cidadela, acompanhamos desde 2004 proprietários e herdeiros em Cascais, Lisboa, Oeiras e Sintra, incluindo casos com usufruto, heranças e partilhas, com apoio comercial e jurídico especializado.
Resumo rápido — o essencial sobre vender um imóvel com usufruto
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1. O Que é o Usufruto e Como Funciona?
O usufruto é um direito atribuído a uma pessoa (usufrutuário) que lhe permite usar e usufruir de um bem imóvel que pertence a outra pessoa, designada como nu-proprietário. Na prática, isto significa que o usufrutuário pode morar no imóvel, arrendá-lo ou usá-lo para seu benefício, mas não o pode vender.
Tipos de Usufruto
Na legislação portuguesa, o usufruto pode ser:
2. Quem é Responsável pelo Pagamento de Impostos?
Quando um imóvel está sob usufruto, as obrigações fiscais recaem, na maioria dos casos, sobre o usufrutuário. O usufrutuário é geralmente responsável por:
Se está a considerar vender um imóvel com usufruto, é importante lembrar que os impostos podem influenciar o valor de venda e que, muitas vezes, o apoio de um especialista pode ajudar a tomar a decisão mais vantajosa.
3. É Possível Vender um Imóvel que Esteja Sob Usufruto?
A venda de um imóvel com usufruto pode ser mais complexa, mas não é impossível. Existem duas opções principais:
Este tipo de venda exige uma avaliação minuciosa e, muitas vezes, uma negociação cuidadosa para equilibrar os interesses de todos. Por isso, contar com uma assessoria especializada pode fazer toda a diferença.
4. Avaliação do Imóvel com Usufruto
Quando um imóvel tem usufruto, o seu valor de mercado pode ser mais baixo do que o de um imóvel sem restrições. Isso ocorre porque o comprador não terá acesso imediato ao imóvel, dependendo da extinção do usufruto para poder usufruir da propriedade em pleno.
Factores de Avaliação
A avaliação de imóveis em usufruto deve ser feita por profissionais experientes que compreendam as nuances do mercado e da legislação, garantindo assim um preço justo. Vender um imóvel nestas condições exige um cálculo rigoroso. Solicite aqui uma avaliação gratuita e profissional do seu imóvel para saber o valor real de mercado, considerando o peso do usufruto.
5. Vale a pena vender um imóvel com usufruto agora ou esperar?
Uma das dúvidas mais comuns dos proprietários é saber se faz sentido vender o imóvel enquanto o usufruto ainda está ativo ou esperar pela sua extinção. A resposta depende sobretudo de três fatores: valor, necessidade de liquidez e perfil do usufrutuário.
Quando pode fazer sentido vender já
Vender a nua-propriedade pode ser uma solução quando existe necessidade de liquidez ou quando o imóvel não está a ser utilizado. Nestes casos, alguns investidores estão dispostos a comprar a propriedade com desconto, esperando pela extinção futura do usufruto.
Também pode fazer sentido quando existe acordo entre nu-proprietário e usufrutuário para vender a propriedade plena, eventualmente com uma compensação financeira ao usufrutuário.
Quando pode compensar esperar
Se o usufruto for vitalício e o usufrutuário ainda tiver muitos anos de expectativa de vida, a desvalorização do imóvel pode ser significativa. Nesses casos, esperar pela extinção do usufruto pode permitir vender posteriormente a propriedade plena por um valor mais elevado.
Também pode ser preferível esperar quando o imóvel tem forte procura no mercado e a venda futura pode gerar maior retorno.
Como decidir na prática
A decisão deve considerar três elementos principais:
Uma análise profissional do mercado e do valor real do imóvel pode ajudar a perceber qual das opções faz mais sentido.
6. Como se calcula o valor do usufruto?
Diferente do que muitos imaginam, não existe uma fórmula legal única e obrigatória definida na lei portuguesa para calcular o valor do usufruto em função da idade. O Código do Imposto do Selo (nomeadamente o artigo 15.º) refere que o imposto pode incidir sobre o valor dos direitos reais, como o usufruto, mas não fornece uma tabela oficial nem define coeficientes.
Apesar disso, na prática — tanto em partilhas, como em doações ou vendas — é muito comum recorrer a tabelas orientadoras baseadas na idade do usufrutuário, usadas por peritos avaliadores, notários e entidades como a Autoridade Tributária. Essas tabelas não têm força de lei, mas oferecem uma base prática e coerente com o princípio de que quanto mais jovem o usufrutuário, maior o valor económico do seu direito (já que terá, em teoria, mais anos para beneficiar do imóvel).
Uma das tabelas mais utilizadas é esta:
Tabela de Coeficientes Indicativos de Usufruto
|
Idade do Usufrutuário |
Coeficiente Indicativo |
|
Menos de 20 anos |
0,80 |
|
Menos de 25 anos |
0,75 |
|
Menos de 30 anos |
0,70 |
|
Menos de 35 anos |
0,65 |
|
Menos de 40 anos |
0,60 |
|
Menos de 45 anos |
0,55 |
|
Menos de 50 anos |
0,50 |
|
Menos de 55 anos |
0,45 |
|
Menos de 60 anos |
0,40 |
|
Menos de 65 anos |
0,35 |
|
Menos de 70 anos |
0,30 |
|
Menos de 75 anos |
0,25 |
|
Menos de 80 anos |
0,20 |
|
Menos de 85 anos |
0,15 |
|
85 ou mais anos |
0,10 |
estes valores são baseados em práticas comuns de mercado em Portugal
O cálculo estimado do valor do usufruto pode então ser feito da seguinte forma:
Valor do usufruto = Valor do imóvel × Coeficiente correspondente à idade do usufrutuário
Este valor é apenas indicativo e pode variar conforme os critérios adotados por peritos em contexto judicial, fiscal ou contratual. Em situações mais complexas — como partilhas litigiosas ou avaliação para efeitos de mais-valias — pode ser necessária uma avaliação pericial específica, baseada na renda presumível do imóvel e na esperança média de vida publicada pelo INE.
Isto significa, por exemplo, que:
Este valor é relevante em muitas situações legais e fiscais.
7. Vantagens e Desvantagens para Compradores e Vendedores
Existem vantagens e desvantagens para ambas as partes na venda de um imóvel com usufruto:
Para o Comprador
Para o Vendedor
8. O que acontece quando o usufruto termina?
O usufruto não é um direito permanente. Em determinadas situações, esse direito extingue-se e o imóvel passa a pertencer totalmente ao nu-proprietário. Quando isso acontece, deixa de existir qualquer limitação sobre o imóvel e o proprietário passa a ter plena liberdade para vender, habitar ou arrendar a casa.
Existem várias formas de extinção do usufruto, sendo algumas mais comuns do que outras.
Extinção por morte do usufrutuário
A forma mais comum de extinção do usufruto é o falecimento do usufrutuário. Nos usufrutos vitalícios, o direito termina automaticamente no momento da morte.
A partir desse momento, o nu-proprietário passa a ser o único e pleno proprietário do imóvel, sem necessidade de realizar uma nova escritura de compra ou transferência de propriedade.
Apesar disso, é aconselhável atualizar os registos oficiais para refletir a nova situação jurídica do imóvel.
Extinção por renúncia do usufrutuário
Em alguns casos, o usufrutuário pode decidir renunciar voluntariamente ao usufruto, permitindo que o nu-proprietário passe a ter a propriedade plena.
Esta situação acontece, por exemplo, quando ambas as partes chegam a acordo para vender o imóvel no mercado. O usufrutuário abdica do seu direito e pode receber uma compensação financeira acordada entre as partes.
A renúncia ao usufruto deve ser formalizada através de escritura ou documento autenticado.
Extinção por prazo (usufruto temporário)
Quando o usufruto foi constituído por um período determinado, ele extingue-se automaticamente quando esse prazo termina.
Por exemplo, se o usufruto foi estabelecido por 10 anos, após esse período o direito desaparece e o nu-proprietário passa a ter a propriedade plena do imóvel.
O que fazer após a extinção do usufruto
Depois da extinção do usufruto, é recomendável atualizar a situação legal do imóvel para evitar problemas em futuras vendas ou transmissões.
Normalmente devem ser feitos três passos simples:
Existe algum imposto quando o usufruto termina?
Quando o usufruto termina por morte do usufrutuário, o nu-proprietário passa a ter propriedade plena do imóvel sem necessidade de pagar IMT ou Imposto do Selo, porque não se trata de uma nova transmissão de propriedade.
No entanto, se o imóvel vier a ser vendido posteriormente, poderá existir tributação de mais-valias, dependendo da situação concreta
9. Cuidados e Dicas para Vender um Imóvel com Usufruto
Se está a pensar vender um imóvel com usufruto, estas dicas podem ajudar a facilitar o processo:
Questões frequentes (FAQ) ao Vender imóvel em usufruto
1. Posso vender a casa toda se houver usufruto?
Sim, mas o usufrutuário tem de consentir e intervir no acto. Sem esse acordo, o que pode vender é a nua-propriedade, mantendo-se o usufruto ativo.
2. O usufrutuário pode impedir a venda da nua-propriedade?
Não. O nu-proprietário pode vender a nua-propriedade a terceiros, mas o comprador terá de respeitar o usufruto até à sua extinção.
3. Vale a pena vender agora ou esperar pela extinção do usufruto?
Depende da necessidade de liquidez. Vender agora tende a implicar desconto; esperar permite vender com propriedade plena, normalmente por um valor superior.
4. Quanto desvaloriza um imóvel com usufruto?
A desvalorização varia muito, mas é normalmente significativa: depende da idade do usufrutuário, do tipo de usufruto e do perfil do comprador (investidor vs comprador para habitar).
5. Os coeficientes por idade são oficiais?
Existem referências usadas em contexto fiscal para valorar usufruto/nua-propriedade (p.ex. em transmissões), mas o preço de mercado é negociado e depende de risco, prazo e rentabilidade.
6. A idade do usufrutuário influencia muito o preço?
Sim. Regra prática: quanto mais jovem, maior tende a ser o valor económico do usufruto — e menor a atratividade/valor da nua-propriedade para quem compra.
7. Quem paga o IMI: usufrutuário ou nu-proprietário?
De acordo com o Código do IMI, o imposto é responsabilidade de quem usufrui do bem. Portanto, o usufrutuário é o sujeito passivo que deve pagar o IMI anual.
8. Quem paga o condomínio e as obras do prédio?
Regra geral: despesas ordinárias (condomínio/manutenção corrente) ficam com o usufrutuário; obras extraordinárias/estruturais tendem a caber ao nu- proprietário.
9. Na venda da nua-propriedade, quem paga as mais-valias?
Regra base: paga mais-valias quem vende o seu direito. Se houver compensação ao usufrutuário por renúncia, pode existir enquadramento fiscal próprio deve ser validado com contabilista/advogado.
10. O usufruto acaba automaticamente com a morte?
Sim. O usufruto extingue-se por morte do usufrutuário, e o nu-proprietário consolida a propriedade plena.
11. Que passos dar para atualizar o registo após o óbito?
Atualizar o Registo Predial para remover o ónus do usufruto e alinhar a situação nas Finanças (matriz/caderneta), usando a certidão de óbito e documentação aplicável.
12. Há algum imposto quando a propriedade “reverte” para mim?
Não há lugar ao pagamento de IMT ou Imposto do Selo por "aquisição" na extinção por morte. É uma consolidação de direitos já existentes, não sendo considerada uma nova transmissão onerosa.
13. O banco financia a compra de um imóvel com usufruto?
Tende a ser difícil — muitos bancos não gostam de financiar operações em que a garantia não dá posse imediata. Na prática, estes negócios são mais comuns com capitais próprios.
14. O usufrutuário pode arrendar a casa a terceiros?
Sim. O usufrutuário tem direito aos “frutos”, o que inclui arrendar e receber rendas.
15. O usufruto passa para os herdeiros do usufrutuário?
Não por morte: o usufruto extingue-se com o falecimento do usufrutuário e não “passa” aos herdeiros.
Conclusão
A venda de um imóvel com usufruto pode parecer complexa, mas quando se compreende bem como funcionam os direitos do usufrutuário e do nu-proprietário, torna-se muito mais fácil tomar decisões seguras.
Antes de avançar para o mercado, é essencial perceber qual é o valor real do imóvel, que impacto o usufruto tem no preço e que tipo de comprador pode estar interessado. Uma análise incorreta pode levar a expectativas irrealistas ou a processos de venda demasiado longos.
Se tem um imóvel com usufruto e está a considerar vendê-lo, o primeiro passo é perceber quanto vale realmente no mercado atual.
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Por Pedro Pettermann
Pedro Pettermann é Broker da RE/MAX Cidadela em Cascais, certificado pela RE/MAX Collection, com mais de 20 anos de experiência no mercado imobiliário da Linha de Cascais, Lisboa, Oeiras e Sintra. Licenciado em Gestão e MBA pelo IE Business School, alia visão estratégica a um profundo conhecimento local. Reconhecido como especialista em mercado imobiliário, crédito habitação e marketing digital, ajuda proprietários e compradores a tomar decisões seguras e rentáveis.
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