Usufruto em Caso de Divórcio: O Que Acontece ao Imóvel e Como Resolver

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RE/MAX CIDADELA

Última atualização:  2026-05-02

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Usufruto em Caso de Divórcio: O Que Acontece ao Imóvel e Como Resolver

Quando existe usufruto sobre um imóvel e ocorre um divórcio, o que acontece à casa não é uma questão simples — e pode bloquear decisões durante meses ou anos.

O usufruto não desaparece com o divórcio. Mantém-se ativo e limita diretamente o que pode ser feito com o imóvel — incluindo vender, dividir ou negociar.

O problema é que muitos casais só percebem isso tarde demais, já em contexto de conflito e com decisões urgentes.

Na prática, um erro de estratégia pode traduzir-se numa perda de dezenas de milhares de euros — ou num processo sem solução durante anos.

Neste artigo, vai perceber exatamente o que acontece ao imóvel, quais são os cenários mais comuns e como tomar a decisão certa.

Na RE/MAX Cidadela, acompanhamos há mais de 20 anos processos de venda e partilha de imóveis em Cascais, Lisboa, Oeiras e Sintra.

O padrão é consistente: sempre que existe usufruto num contexto de divórcio, o processo torna-se mais lento, mais complexo e, muitas vezes, financeiramente penalizador quando não é bem gerido desde o início.

Resumo rápido

  • O usufruto não termina com o divórcio e mantém-se ativo.
  • O usufrutuário mantém direito de uso e pode bloquear decisões.
  • A nua-propriedade pode ser dividida entre os ex-cônjuges.
  • Vender exige, quase sempre, acordo de todas as partes.
  • O mercado penaliza imóveis com usufruto (menos procura, mais tempo).
  • O valor do usufruto influencia diretamente a partilha.
  • Uma decisão mal fundamentada pode gerar perdas significativas.

 

Antes de decidir vender, dividir ou manter o imóvel, há uma pergunta essencial: quanto vale realmente o seu caso com usufruto?

Uma avaliação genérica não é suficiente. O impacto do usufruto pode alterar o valor em dezenas de milhares de euros — e influenciar toda a negociação no divórcio.

👉 Se quiser perceber o valor real do seu imóvel neste contexto e quais são as melhores opções no seu caso, pode solicitar uma análise confidencial com a RE/MAX Cidadela.

 

O que acontece ao imóvel com usufruto num divórcio

O usufruto é um direito autónomo, pessoal e independente do casamento. Isto significa que o divórcio não o extingue nem altera automaticamente.

Se o usufruto pertence a um dos cônjuges, mantém-se. Se pertence a terceiros (por exemplo, pais), também continua exatamente como estava.

A nua-propriedade — isto é, a titularidade do imóvel sem o direito de uso — pode ser dividida entre os ex-cônjuges, mas o seu valor depende diretamente de fatores como o valor do usufruto em função da idade.

Na prática, isto cria uma situação delicada: duas pessoas já separadas passam a partilhar um ativo cujo controlo efetivo depende de um terceiro ou de um deles. Decisões simples tornam-se negociações complexas, muitas vezes com interesses opostos.

 

Quem pode decidir vender um imóvel com usufruto

Ninguém pode decidir sozinho.

O proprietário pode querer vender, mas o usufrutuário mantém direitos sobre o imóvel. E esses direitos têm impacto direto na venda.

Se o usufruto pertence a um dos ex-cônjuges, esse cônjuge pode condicionar ou bloquear a venda. Se pertence a terceiros, como pais, o acordo deles torna-se essencial.

Na prática, o cenário mais comum é um impasse: um quer vender, outro quer manter, e o usufrutuário não abdica do direito.

Quando isso acontece, o processo pode arrastar-se — ou exigir intervenção legal, com custos adicionais.

 

Os 3 cenários reais de usufruto em caso de divórcio

A maioria dos problemas não está na lei — está na forma como cada situação se traduz na prática. E no caso do usufruto em divórcio, existem três cenários completamente diferentes, com consequências financeiras também muito distintas.

Cenário 1: Pais doaram a casa e mantêm o usufruto

Este cenário é particularmente comum em Cascais, onde o planeamento patrimonial familiar é frequente.

Os pais doam a casa ao casal, mas mantêm o usufruto. Com o divórcio, nada muda para eles — continuam com direito a viver ou usar o imóvel.

A nua-propriedade é que passa a ser dividida entre os ex-cônjuges.

Na prática, isto cria um bloqueio quase total. O imóvel não pode ser vendido sem o acordo dos pais. E mesmo que haja acordo, o mercado reage com desconfiança a usufrutos vitalícios.

O resultado é um ativo com liquidez muito reduzida e frequentemente subvalorizado.

Se estiver a considerar este tipo de estrutura, veja também como funciona comprar casa em nome dos filhos e manter o usufruto, porque os impactos são semelhantes.

Cenário 2: Usufruto proveniente de herança

Aqui o usufruto pertence a um dos cônjuges, normalmente associado a um imóvel herdado.

O usufruto não entra diretamente na partilha, porque é um direito pessoal e intransmissível. No entanto, influencia o equilíbrio financeiro entre as partes.

Se um dos cônjuges mantém um direito económico relevante sobre um imóvel, isso pode ser considerado na compensação global.

O erro mais comum é ignorar este impacto e assumir que o valor é irrelevante.

Para uma visão completa, veja também o nosso guia sobre venda de imóvel herdado ou indiviso em Portugal.

Cenário 3: Venda de imóvel com usufruto durante o divórcio

Este é o cenário mais difícil — e onde ocorrem mais perdas.

Temos dois proprietários em conflito e um usufruto que limita a venda. O mercado reage de forma clara: menos compradores, mais risco percebido e maior desconto.

Na prática, imóveis com usufruto podem sofrer reduções entre 20% e 60%, dependendo da idade do usufrutuário e das condições.

Além disso, o tempo médio de venda aumenta significativamente.

 

Como calcular o impacto do usufruto na partilha de bens

Depois de perceber o cenário em que se encontra, surge a questão mais prática: como é que o usufruto afeta a divisão do património.

O primeiro ponto é distinguir o que entra e o que não entra na partilha. A nua-propriedade é partilhável. O usufruto, sendo um direito pessoal, não é.

No entanto, o valor económico do usufruto pode ser relevante para equilibrar a divisão.

Imagine um imóvel com valor de mercado de 400.000€. Se o usufrutuário tiver 70 anos, o valor económico do usufruto pode representar cerca de 30% a 40% do total.

Isso significa que:

  • usufruto: 120.000€–160.000€
  • nua-propriedade: 240.000€–280.000€

Se este impacto não for considerado, a partilha pode tornar-se injusta.

É aqui que muitos processos falham: usam valores teóricos ou ignoram completamente a realidade económica do usufruto.

Se quiser aprofundar, veja também o nosso conteúdo sobre avaliação de imóveis nas partilhas de bens, onde explicamos como estes valores são ajustados na prática.

 

O que fazer primeiro — abordagem prática ao seu caso

Na prática, há uma sequência que ajuda a evitar erros e decisões precipitadas.

Primeiro, é essencial identificar o tipo de usufruto: quem o detém e em que condições. Depois, deve perceber quem tem de intervir numa eventual decisão — nomeadamente numa venda.

O passo seguinte é avaliar o imóvel no contexto real, considerando o impacto do usufruto no preço e na procura.

Só depois faz sentido decidir se deve vender, manter ou negociar outra solução.

Sem esta sequência, o risco de erro aumenta significativamente.

 

Impacto financeiro real: vender com ou sem usufruto

Situação

Valor de mercado

Tempo médio de venda

Tipo de comprador

Sem usufruto

500.000€

60–120 dias

Famílias

Com usufruto (65 anos)

350.000€–400.000€

6–12 meses

Investidores

Com usufruto vitalício (80+)

250.000€–320.000€

12–24 meses

Investidores oportunistas

Dados baseados em prática de mercado e referências de portais como Idealista.

 

Impostos e custos no divórcio com usufruto

A componente fiscal é frequentemente ignorada — e pode ter impacto direto na decisão.

Na venda de um imóvel em contexto de divórcio, podem existir mais-valias sujeitas a IRS. A forma como o usufruto está estruturado pode influenciar esse cálculo.

Para aprofundar este tema, veja o nosso guia sobre o impacto das mais-valias na a venda de casa em Portugal, porque pode alterar significativamente o resultado líquido.

Além disso, na transmissão da nua-propriedade podem existir implicações em IMT e Imposto do Selo, dependendo do enquadramento.

Em casos de habitação própria e permanente, podem existir isenções — mas dependem de vários fatores, incluindo reinvestimento.

O erro mais comum é tomar decisões sem simular o impacto fiscal. E isso pode alterar completamente o resultado final.

 

Quando o usufrutuário não coopera — opções reais

Este é o cenário de maior tensão — e também o que mais gera decisões precipitadas.

Quando não há acordo, existem essencialmente três caminhos.

A ação de divisão de coisa comum permite forçar a venda judicial, mas implica tempo e custos.

A mediação pode ser uma alternativa mais rápida e menos desgastante, embora dependa da vontade das partes.

Na prática, processos judiciais podem demorar mais de um ano e implicar custos significativos.

O mais importante é perceber que o tempo também tem um custo — financeiro e emocional.

 

O erro mais caro

O erro mais comum — e mais caro — é avaliar o imóvel como se não tivesse usufruto.

Ao longo de mais de 20 anos, vemos repetidamente o mesmo padrão: decisões baseadas em valores irreais, seguidas de frustração e perdas.

A maioria dos proprietários só percebe o erro quando já está no mercado — ou quando recebe propostas muito abaixo do esperado.

 

Quando faz sentido manter vs vender

Manter pode fazer sentido quando o usufrutuário pretende continuar a usar o imóvel e não existe urgência financeira.

Vender pode ser a melhor opção quando há necessidade de liquidez ou quando o custo de manter o imóvel — emocional e financeiro — se torna elevado.

A decisão deve ser sempre estratégica, nunca automática.

 

FAQ — Perguntas frequentes

O usufruto termina com o divórcio?

Não. O usufruto mantém-se até à sua extinção legal (por morte do usufrutuário, prazo ou renúncia).
Na prática, o divórcio não altera este direito, o que significa que o imóvel continua condicionado independentemente da separação.
Isto pode limitar decisões como a venda ou utilização do imóvel.

Quem pode bloquear a venda?

O usufrutuário pode condicionar ou, na prática, inviabilizar a venda.
Embora o proprietário possa vender a nua-propriedade, a existência de usufruto reduz drasticamente o interesse dos compradores.
Sem acordo entre todas as partes, a venda torna-se difícil ou financeiramente penalizadora.

Posso vender sem o usufrutuário?

Sim, mas apenas a nua-propriedade — e com impacto relevante no preço.
Na maioria dos casos, isso significa vender com desconto significativo e para um perfil muito específico de comprador (investidores).
Por isso, raramente é a melhor opção sem uma análise estratégica.

O usufruto entra na partilha?

Não diretamente, porque é um direito pessoal e intransmissível.
No entanto, o seu valor económico pode influenciar o equilíbrio da partilha entre os cônjuges.
Ignorar este impacto pode levar a compensações injustas.

Quem paga o IMI durante o processo?

Regra geral, o usufrutuário é responsável pelo IMI, por ser quem usufrui do imóvel.
No entanto, em contexto de divórcio, pode haver acordos diferentes entre as partes.
Se não existir acordo, podem surgir conflitos adicionais.

O banco pode impedir a venda?

Sim, se existir crédito habitação.
O banco tem de autorizar a venda e garantir que o empréstimo é liquidado ou transferido.
Sem essa autorização, a transação não avança.

Divórcio litigioso muda alguma coisa?

Sim, pode alterar significativamente os prazos e a complexidade.
Sem acordo entre as partes, decisões como a venda podem depender de tribunal.
Na prática, isso pode atrasar o processo durante meses ou anos.

Vale a pena vender um imóvel com usufruto?

Depende do contexto, mas na maioria dos casos implica desconto relevante.
Se houver urgência financeira ou acordo entre as partes, pode ser a melhor solução.
Caso contrário, pode ser preferível negociar ou esperar por melhores condições.

 

Conclusão

O usufruto em caso de divórcio não é apenas um detalhe jurídico — é um fator que pode alterar completamente o valor do imóvel, o tempo de venda e o equilíbrio financeiro entre as partes.

Ignorar o seu impacto ou tomar decisões com base em valores errados é um dos erros mais comuns — e mais caros — que vemos no mercado.

Na prática, a diferença entre um processo bloqueado e uma solução equilibrada está quase sempre na análise inicial.

Antes de decidir vender, dividir ou manter o imóvel, é essencial perceber exatamente em que cenário se encontra e qual é o impacto real do usufruto no seu caso.

Se está nesta situação e quer evitar decisões que podem custar dezenas de milhares de euros, pode solicitar uma análise confidencial com a RE/MAX Cidadela.

Uma avaliação correta neste momento pode fazer toda a diferença no resultado final.

RE/MAX CIDADELA

Avenida 25 de Abril nº 722, Cascais.

Tel.+351 967604141. E-Mail: ppettermann@remax.pt

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👤 Sobre o Autor:

 Pedro Pettermann

Broker da RE/MAX Cidadela em Cascais, com mais de 20 anos de experiência no mercado imobiliário da Linha de Cascais, Lisboa, Oeiras e Sintra. Licenciado em Gestão e MBA pelo IE Business School, alia visão estratégica a um profundo conhecimento local. Reconhecido como especialista em mercado imobiliário, crédito habitação e marketing digital, ajuda proprietários e compradores a tomar decisões seguras e rentáveis.

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