RE/MAX CIDADELA
Última atualização: 2026-05-02
Se tem um imóvel com usufruto, vender pode parecer a única solução — mas, na prática, é muitas vezes a decisão mais cara.
Na maioria dos casos, o problema não está no imóvel nem no mercado. Está na decisão tomada demasiado cedo, sem analisar alternativas. E isso pode traduzir-se em perdas de dezenas ou até centenas de milhares de euros.
Um imóvel com usufruto não é um ativo bloqueado. É um ativo com regras diferentes — e essas regras criam várias opções que a maioria dos proprietários nunca chega a explorar.
Neste artigo, vai perceber quais são as alternativas reais à venda, quanto pode ganhar ou perder em cada uma e, sobretudo, como decidir com base em números — não em pressão.
Ao longo de mais de 20 anos, na RE/MAX Cidadela, já acompanhámos centenas de avaliações e decisões envolvendo imóveis com usufruto em Cascais, Lisboa, Oeiras e Sintra. O padrão repete-se: a maioria dos proprietários assume que vender é inevitável — e só depois percebe que existiam alternativas mais rentáveis.
Resumo rápido (para decidir já)
Se chegou até aqui, há um ponto crítico que não deve ignorar: o mesmo imóvel com usufruto pode ter diferenças de valor de dezenas de milhares de euros, dependendo da decisão que tomar.
Antes de avançar para venda, faz sentido perceber qual é o cenário mais vantajoso no seu caso — vender, arrendar, esperar ou renegociar o usufruto.
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Quais são as alternativas à venda de imóvel com usufruto?
As principais alternativas são: arrendamento do imóvel pelo usufrutuário, venda da nua-propriedade a investidor, extinção do usufruto por acordo com compensação financeira, e aguardar pela extinção natural. A melhor opção depende de três fatores: a idade do usufrutuário, a necessidade de liquidez e o potencial de valorização do imóvel na zona.
Porque a maioria decide vender — e porque isso pode ser um erro
A decisão de vender raramente começa com números. Começa com desconforto. Pode ser um herdeiro que não consegue utilizar o imóvel, um conflito familiar ou simplesmente a sensação de que o ativo está parado.
É aqui que surge o primeiro erro: confundir falta de uso com falta de valor.
Na prática, o usufruto não elimina valor. Apenas altera a forma como esse valor pode ser capturado. Quem não entende esta diferença acaba por aceitar propostas ajustadas ao risco do comprador — e não ao verdadeiro potencial do imóvel.
Ao longo dos anos, temos visto o mesmo padrão em Cascais e Lisboa: vendas feitas demasiado cedo, com descontos significativos, que poderiam ter sido evitados com uma análise mais completa.
Alternativas à venda de imóvel com usufruto
Ignorar as alternativas é, na maioria dos casos, um erro financeiro. A decisão correta depende sempre do contexto — idade do usufrutuário, necessidade de liquidez e potencial do mercado.
O usufrutuário tem o direito de uso e fruição do imóvel, o que inclui a possibilidade de o arrendar. Não necessita de autorização do nu-proprietário para o fazer, desde que respeite as regras legais aplicáveis.
Este ponto muda completamente o enquadramento. Um imóvel que parecia improdutivo pode gerar rendimento imediato, mantendo simultaneamente a exposição à valorização do mercado.
Em zonas como Cascais, um apartamento com valor de mercado na ordem dos 500.000 euros pode gerar entre 1.500 e 2.200 euros mensais. Ao longo de alguns anos, este rendimento pode compensar, ou até superar, o desconto que seria aplicado numa venda com usufruto.
Do ponto de vista fiscal, estes rendimentos são tributados em IRS, categoria F, normalmente à taxa autónoma de 28%, podendo existir reduções em contratos de maior duração. Este enquadramento deve ser analisado caso a caso, mas não invalida a lógica da estratégia.
Isto significa que, em muitos cenários, arrendar não é apenas uma alternativa — é uma forma de ganhar tempo enquanto o imóvel continua a valorizar.
A venda da nua-propriedade permite obter liquidez sem alienar completamente o ativo. O comprador adquire o direito futuro sobre o imóvel, enquanto o usufrutuário mantém o uso.
Este tipo de operação atrai investidores, especialmente em mercados como Lisboa, onde existe maior tolerância a horizontes de longo prazo. O valor da transação depende fortemente da idade do usufrutuário. Quanto mais avançada a idade, menor o desconto aplicado. Como explicamos no nosso guia sobre valor do usufruto em função da idade, pequenas diferenças neste cálculo podem alterar significativamente o resultado final
Como explicamos no nosso guia sobre valor do usufruto em função da idade, este fator pode alterar significativamente o preço final. Um erro de avaliação nesta fase pode comprometer toda a operação.
Na prática, esta solução permite equilibrar liquidez imediata com preservação parcial do valor, sendo especialmente útil quando não existe urgência absoluta, mas há necessidade de libertar capital.
A extinção do usufruto por acordo é, frequentemente, a alternativa com maior impacto financeiro. Consiste em compensar o usufrutuário para que renuncie ao seu direito, permitindo vender o imóvel como propriedade plena.
A chave está no cálculo da compensação. Deve ter em conta a idade do usufrutuário, a expectativa de vida e o valor real de mercado — não apenas referências fiscais.
Imagine um imóvel com valor de mercado de 500.000 euros. Em venda com usufruto, poderia ser transacionado por cerca de 320.000 euros. Se o nu-proprietário compensar o usufrutuário com 80.000 euros e vender o imóvel sem ónus, o resultado líquido pode aproximar-se dos 420.000 euros.
A diferença não é marginal. É estrutural.
A formalização é feita através de escritura de renúncia ao usufruto, com enquadramento jurídico adequado. Este processo exige acompanhamento especializado, mas pode transformar completamente o resultado financeiro da operação.
Esta é uma das decisões mais difíceis — e também uma das mais ignoradas.
Na prática, muitos proprietários evitam sequer considerar esta hipótese por desconforto emocional. No entanto, quando analisada de forma objetiva, pode ser a opção mais racional do ponto de vista financeiro.
A lógica é simples: ao vender com usufruto, aceita um desconto significativo. Ao esperar pela extinção natural, pode vender o imóvel pelo valor total — potencialmente mais elevado, se o mercado valorizar.
Mas esta decisão só faz sentido quando os números justificam.
Para isso, é necessário cruzar dois fatores: a idade do usufrutuário e a valorização esperada do imóvel.
Simulação real — valorização vs idade do usufrutuário
Considerando um imóvel com valor atual de 400.000€ e uma valorização média anual de 4%, o impacto pode ser o seguinte:
|
Idade do usufrutuário |
Horizonte provável |
Valor estimado futuro |
Venda com usufruto hoje (estimado) |
Diferença potencial |
|
70 anos |
12–15 anos |
640.000€ – 720.000€ |
220.000€ – 280.000€ |
+400.000€ |
|
75 anos |
8–12 anos |
550.000€ – 640.000€ |
250.000€ – 320.000€ |
+300.000€ |
|
80 anos |
5–8 anos |
480.000€ – 550.000€ |
280.000€ – 360.000€ |
+200.000€ |
|
85 anos |
3–5 anos |
450.000€ – 500.000€ |
300.000€ – 380.000€ |
+120.000€ |
Estes valores são estimativas baseadas em padrões de mercado observados em Lisboa e Cascais, considerando o comportamento típico dos compradores e dados de valorização recentes.
O que esta tabela mostra (e que muitos ignoram)
O ponto crítico não é apenas o valor — é o tempo.
Para usufrutuários com idade mais avançada, a diferença entre vender hoje e esperar pode ser suficientemente elevada para justificar a decisão. Em cenários com usufrutuários mais jovens, o tempo necessário para capturar esse valor pode tornar a espera menos viável.
Na prática, isto significa que:
Quando esperar faz sentido — e quando não
Esperar pode ser a melhor decisão quando existe estabilidade financeira, ausência de conflitos entre as partes e um imóvel localizado numa zona com valorização consistente, como Cascais ou Lisboa.
Por outro lado, quando existe necessidade de liquidez imediata, risco de conflito ou incerteza quanto ao mercado, esperar pode tornar-se uma decisão arriscada.
O erro mais comum é não fazer esta análise — e tomar uma decisão baseada apenas em perceção, e não em números.
Quando existe relação familiar, um acordo direto é frequentemente a solução mais eficiente.
Ao longo dos anos, temos acompanhado negociações onde a ausência de comunicação levou a decisões precipitadas. Em contrapartida, quando existe diálogo estruturado desde o início, o resultado tende a ser mais equilibrado e financeiramente mais vantajoso.
O acordo pode assumir várias formas: compensação pela renúncia ao usufruto, partilha de rendimentos de arrendamento ou definição conjunta do momento de venda. O mais importante não é a estrutura do acordo, mas o alinhamento entre as partes.
Imagine dois herdeiros que recebem a nua-propriedade de um imóvel enquanto um familiar mantém o usufruto. Sem acordo, a venda só seria possível com desconto significativo. Com um entendimento estruturado, podem optar por arrendar durante alguns anos e vender mais tarde em melhores condições.
Quando existe alinhamento, o imóvel deixa de ser um problema e passa a ser um ativo gerido de forma estratégica.
Quanto pode perder ao vender sem analisar alternativas
A diferença entre decidir bem ou mal pode ser significativa.
Num cenário típico em Cascais, um imóvel com valor de mercado de 600.000 euros pode ser vendido por 350.000 a 450.000 euros quando existe usufruto. A diferença potencial pode ultrapassar os 150.000 euros.
Este não é um caso isolado. É um padrão recorrente em mercados onde o perfil do comprador penaliza a falta de uso imediato.
Comparação real entre opções
|
Opção |
Liquidez |
Valor final |
Risco |
Tempo |
|
Venda com usufruto |
Alta |
Baixo |
Médio |
Curto |
|
Nua-propriedade |
Média |
Médio |
Médio |
Médio |
|
Arrendamento |
Baixa |
Alto |
Baixo |
Longo |
|
Extinção + venda total |
Média |
Alto |
Baixo |
Médio |
|
Esperar |
Nenhuma |
Muito alto |
Alto |
Longo |
A leitura desta tabela deve ser feita com contexto. A melhor opção não é universal — é a que melhor responde à sua situação concreta.
Como decidir
Antes de tomar uma decisão, deve responder a três questões essenciais: precisa de liquidez imediata ou pode esperar, qual é a idade do usufrutuário e qual o potencial de valorização do imóvel.
Estas três variáveis são suficientes para eliminar a maioria dos erros. Sem elas, a decisão tende a ser emocional. Com elas, passa a ser racional.
O impacto em Cascais vs Lisboa vs Oeiras
De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística e do Idealista Cascais apresenta valores médios acima de 5.500 euros por metro quadrado, enquanto Lisboa varia entre 4.500 e 7.500 euros, dependendo da zona. Oeiras tende a situar-se ligeiramente abaixo de Lisboa.
A diferença relevante não está apenas nos preços, mas no perfil do comprador.
Em Cascais, a procura está frequentemente associada a habitação própria ou segunda residência, o que aumenta a penalização de imóveis com usufruto. Em Lisboa, a presença de investidores torna o mercado mais flexível. Em Oeiras, o comportamento é intermédio.
Este fator local tem impacto direto na estratégia a adotar.
Caso real
Um cliente herdou um imóvel com usufruto vitalício da mãe. Recebeu propostas na ordem dos 280.000 euros para um imóvel que, em condições normais, poderia atingir cerca de 400.000 euros.
A decisão inicial era vender. Após análise, percebeu que não existia urgência financeira e que o imóvel tinha potencial para arrendamento.
Optou por manter o usufruto e arrendar. Ao longo do tempo, gerou rendimento e beneficiou da valorização do mercado. A venda foi adiada para um momento mais favorável.
A diferença potencial no resultado final ultrapassou os 100.000 euros.
O erro mais comum (e mais caro)
A maioria dos proprietários toma decisões com base em referências erradas. Utilizam o valor patrimonial tributário, estimativas simplistas ou opiniões sem base de mercado.
Como explicamos no nosso guia sobre vender imóvel com usufruto, este erro pode comprometer todo o processo.
A decisão parece lógica no momento, mas revela-se financeiramente penalizadora a médio prazo.
Quando faz sentido vender
Existem situações em que vender é a decisão correta. Quando há necessidade urgente de liquidez, conflitos entre partes ou ausência de potencial de valorização, manter o imóvel pode ser mais arriscado do que vender.
Nestes casos, o objetivo não é maximizar valor, mas resolver o problema com o menor impacto possível.
FAQ — Perguntas frequentes
O usufrutuário pode arrendar o imóvel?
Sim. O usufrutuário tem direito de uso e fruição, o que inclui arrendar o imóvel sem autorização do nu-proprietário. Os rendimentos devem ser declarados em IRS e estão sujeitos a tributação, normalmente à taxa de 28%, podendo variar consoante o tipo de contrato.
Vale a pena vender um imóvel com usufruto?
Depende do contexto. Se houver necessidade imediata de liquidez, pode fazer sentido. No entanto, em muitos casos existem alternativas que permitem preservar mais valor, como o arrendamento ou a extinção do usufruto.
Como calcular o valor do usufruto?
O cálculo baseia-se na idade do usufrutuário e em tabelas fiscais, mas deve ser ajustado ao valor de mercado real. Uma avaliação incorreta pode levar a decisões financeiramente desfavoráveis.
O usufruto reduz sempre o valor do imóvel?
Sim. O impacto pode variar entre 20% e 60%, dependendo da idade do usufrutuário e do tipo de mercado onde o imóvel está inserido.
Posso extinguir o usufruto?
Sim. A extinção pode ser feita por acordo, normalmente mediante compensação financeira. Deve ser formalizada através de escritura com enquadramento jurídico adequado.
Esperar pode ser melhor do que vender?
Em determinados cenários, sim. Se o usufrutuário tiver idade avançada e o imóvel estiver numa zona em valorização, esperar pode resultar num valor final significativamente superior.
Quanto tempo demora a extinção do usufruto por acordo?
A extinção do usufruto por acordo pode ser relativamente rápida, desde que exista entendimento entre as partes. Na maioria dos casos, o processo demora entre 2 a 6 semanas, dependendo da preparação documental e da rapidez na definição da compensação financeira.
O passo mais importante é chegar a um valor justo para o usufrutuário. Depois disso, a formalização é feita através de escritura de renúncia ao usufruto, normalmente num notário ou advogado.
Na prática, os maiores atrasos não são legais, mas sim negociais. Quando o valor não está bem fundamentado, o processo pode arrastar-se — e é aí que muitas decisões falham.
Posso arrendar o imóvel e depois vender sem perder o usufruto?
Sim, é possível arrendar o imóvel enquanto existe usufruto e vender posteriormente mantendo esse direito, desde que a venda seja feita da nua-propriedade.
Na prática, o usufrutuário pode gerar rendimento através do arrendamento e, mais tarde, o nu-proprietário pode vender o imóvel a um investidor que aceita a continuidade do usufruto.
No entanto, esta estratégia tem impacto direto no preço final, porque o imóvel continuará a ser vendido com esse ónus. Por isso, antes de avançar, faz sentido comparar esta opção com a extinção do usufruto para perceber qual gera mais valor.
Conclusão — decidir bem é proteger o seu património
Vender um imóvel com usufruto pode parecer uma decisão simples. Na realidade, é uma decisão estratégica com impacto direto no seu património.
Quem analisa alternativas toma decisões mais informadas. E quem decide com base em análise, e não em pressão, tende a preservar — e muitas vezes aumentar — o valor do seu ativo.
Fale com um especialista antes de decidir
Se tem um imóvel com usufruto em Lisboa ou Cascais, o primeiro passo não é vender. É perceber o cenário.
Fale com a RE/MAX Cidadela e obtenha uma análise clara, prática e orientada para maximizar o valor do seu imóvel.
RE/MAX CIDADELA
Avenida 25 de Abril nº 722, Cascais.
Tel.+351 967604141. E-Mail: ppettermann@remax.pt
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👤 Sobre o Autor:
Pedro Pettermann
Broker da RE/MAX Cidadela em Cascais, com mais de 20 anos de experiência no mercado imobiliário da Linha de Cascais, Lisboa, Oeiras e Sintra. Licenciado em Gestão e MBA pelo IE Business School, alia visão estratégica a um profundo conhecimento local. Reconhecido como especialista em mercado imobiliário, crédito habitação e marketing digital, ajuda proprietários e compradores a tomar decisões seguras e rentáveis.
Na RE/MAX Cidadela já fizemos mais de 4.800 famílias felizes com a venda ou compra da casa dos seus sonhos
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